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Resumo

Gradientes espaciais e temporais podem submeter as espécies a distintas condições abióticas, exigindo delas ajustes em seus atributos funcionais (AF). Isto promove a variação na expressão desses atributos, podendo os mesmos agirem de forma acoplada ou desacoplada. A covariação de AF deve ser reduzida para permitir amplas variações funcionais, mas este trade-off teórico nem sempre é suportado. Além disso, as relações atributo-atributo mudam ao longo dos gradientes, com distintas contribuições das variações intra- e interespecíficas. Nesse contexto, o presente estudo (1) revisou o conhecimento atual através de uma busca bibliográfica (2010-2022) em três bases (Web of Science, Scopus, Google Scholar), sobre a variabilidade de AF da folha e do lenho ao longo de gradientes abióticos em florestas neotropicais e sobre o acoplamento e desacoplamento de AF em determinados contextos ambientais comparando-os com outras regiões geográficas; (2) determinou como a covariação e variação de sete AF da folha e do lenho de 74 espécies estão associadas e verificou a existência de trade-off entre ambas em um gradiente de precipitação em três áreas da floresta atlântica (Floresta Ombrófila Densa (FOD), Floresta Semidecidual (FES), Restinga (RES); (3) verificou mudanças funcionais foliares de dez espécies em três áreas em uma FOD que formam um gradiente abiótico. Dentre os principais resultados, as espécies neotropicais apresentaram uma ampla gama de respostas à variação ambiental, sendo a diferenciação de nicho o principal determinante nos padrões encontrados. Os AF do lenho e da folha estiveram acoplados (covariando) em ambientes mais restritivos e desacoplados em ambientes mais produtivos. Além disso, não houve suporte para o trade-off entre variação e covariação entre os ecossistemas FOD, FES e RES, independentemente do órgão vegetal considerado. Porém, a variação do lenho foi maior na FOD enquanto a covariação do lenho foi maior na FES e RES evidenciando distintos mecanismos das espécies para lidar com restrições hídricas. A variação intraespecífica foi maior que a interespecífica, especialmente na RES onde as condições ambientais restringem mais a expressão de atributos. Por fim, diferenças entre as três áreas do gradiente abiótico na FOD foram encontradas para alguns AF foliares, mas não para todos, principalmente entre as áreas com maior e menor irradiância. Nosso estudo destaca a importância de analisar diferentes aspectos da expressão e relação entre AF ao avaliar o processo de montagem das comunidades e o papel dos gradientes ambientais.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
  • 2 Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Eixo Temático
  • 4.6 UENF - PPG Ecologia e Recursos Naturais
Palavras-chave
Integração fenotípica; diversidade funcional; filtros ambientais