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A Floresta Atlântica é composta por fitofisionomias com aspectos microclimáticas distintos, principalmente em relação à disponibilidade hídrica. A Floresta Ombrófila Densa (FOM) é caracterizada como ambiente com altos índices pluviométricos; Floresta Estacional Semidecidual (FES) apresenta período seco bem definido durante o inverno; Restinga (RES) apresenta características xeromórficas, devido à baixa disponibilidade hídrica. Apesar dessa heterogeneidade, algumas espécies conseguem se aclimatar e ocorrer simultaneamente nessas áreas, como é o caso de Inga laurina e Schinus terebinthifolia. O objetivo do trabalho é avaliar como os atributos funcionais do continuum folha-caule respondem de forma comparativa entre estes três ambientes. Para isso, cinco folhas e duas amostras do caule foram coletadas de cinco indivíduos e processadas segundo as técnicas usuais de microscopia óptica e eletrônica de varredura. Os resultados demonstram que ambas as espécies para se aclimatar ao ambiente de RES tiveram que desenvolver estratégias na folha e caule para ampliar a capacidade de armazenamento e restrição à perda de água, e segurança hidráulica. As espécies investiram na formação de folhas mais espessas, com maiores parênquimas paliçádico e lacunoso, epidermes e camada subepidérmica, como forma de ampliar os reservatórios de água na folha. Além disso, foi observado um maior espessamento da cutícula adaxial e abaxial, e uma maior deposição de ceras epicuticulares na superfície foliar, refletindo em folhas mais esclerificadas. O espessamento cuticular e a maior densidade de estômatos, representam uma estratégia para controlar a perda de água por transpiração em ambientes áridos como a RES. No lenho foi observada uma maior porcentagem de vasos, e de parênquimas axial e radial, esses atributos representam estratégias que minimizam a vulnerabilidade à cavitação e estabelecem rotas alternativas para o fluxo hídrico. Nas áreas florestais (FES e FOM) os principais ajustes observados nas folhas e caule estavam relacionados ao aumento da interceptação da luz e eficiência hidráulica. Ambas as espécies investiram em maior área e volume foliar, e maior razão paliçádico/lacunoso, para otimizar a captação e aproveitamento dos fótons de luz. A presença de estômatos maiores e vasos com maior área do lúmen, demonstram o investimento de ambas as espécies em mecanismos mais eficientes na condução de água. Foi possível concluir que as espécies em virtude dos contrastes hídricos entre as três áreas precisam alterar drasticamente os atributos funcionais do continuum folha-caule para se perpetuarem eficientemente nas três fitofisionomias.
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