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No ano de 2017 ocorreu pela primeira vez na história do Exército Brasileiro a entrada de mulheres na Escola Preparatória de cadetes do exército (EsPCEx), que precede em um ano a academia militar das agulhas negras (AMAN), a fim de ingressarem na carreira bélica de ensino no exército Brasileiro. Carreira esta que tem a atividade-fim militar em sua forma essencial: o combate. Através dessa pesquisa, objetiva-se analisar como as performances de gênero e as relações de poder demarcam as funções desempenhadas pelas oficiais formadas na AMAN a partir da construção da identidade militar forjada na Academia. Paralelamente, busca-se entre outras questões, investigar as possibilidades de resistência do Exército às mudanças institucionais e sociais decorrentes da inserção da mulher na AMAN e das dinâmicas de ocupação das suas funções na condição de oficiais em organizações militares. Para o desenvolvimento da pesquisa, optou-se pelo método da "história de vida", que oferece um olhar subjetivo a partir das vivencias dos atores do campo. Serão entrevistadas mulheres da primeira turma que contou com a participação feminina, cuja formatura na AMAN ocorreu em dezembro de 2021 e o processo de adaptação às tropas e funções em instituições militares iniciou-se em janeiro de 2022. Busca-se discutir a maneira pela qual os estereótipos de gênero pautam a formação militar, visto que ainda que mulheres tenham alcançado o direito de ingressar no exército pela formação de oficiais, com a possibilidade de alcançar as patentes mais altas dentro da carreira militar, suas funções continuam fundamentadas em gênero, já que de sete especializações, somente duas podem ser escolhidas por elas dentro da AMAN. Argumento que a visão interna das mulheres como um “outro” tem por efeito a construção de espaços de moralidades garantidos pela afirmação da superioridade masculina para funções militares, formados por uma identidade militar ancorada em valores tradicionais. Dessa maneira, esses espaços visam a reprodução de características femininas entendidas como opostas ao exercício de funções militares, pois são princípios de virilidade que compõem o ideal de eficácia militar. Nesse contexto o corpo feminino pode ser entendido como intruso e, então, torna-se necessária a compreensão dos impactos que o ingresso das oficiais recém-formadas trarão para as tropas.
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