Mulheres em rede e a trajetória do abortamento voluntário no Brasil

Vol 3, 2022 - 148632
Pós-Graduação-Oral
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Resumo

O abortamento é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a interrupção voluntária ou não da gravidez até a vigésima semana ou com um concepto pesando menos que 500 gramas, nos casos em que a idade gestacional é desconhecida. O abortamento ramifica-se em duas espécies: o espontâneo, qualificado como aquele em que a gravidez é involuntariamente interrompida, e o induzido, caracterizado como aquele em que a interrupção da gravidez é voluntariamente provocada. Estima-se que no Brasil sejam realizados ao menos 500 mil abortos voluntários e ilegais anualmente, embora tais informações não sejam fidedignas, à medida que a clandestinidade e o estigma que permeiam o tema inibem a admissão de tal prática e resultam na subnotificação do ato, contribuindo para um déficit de representatividade ao que concerne a prática do abortamento (DINIZ et al, 2017). Neste cenário silente, tais atos não são verbalizados publicamente por receio das consequências que a exposição promove. Contudo, o ambiente web permite uma comunicação que privilegia o anonimato e o cyberespaço apresenta-se como fonte fértil de informações sobre o tema, inacessíveis pelos caminhos off-line . Nesse contexto, o objeto do estudo são as trajetórias abortivas relatadas no ciberespaço por mulheres que interromperam voluntariamente a gestação. O objetivo consiste em compreender as significações sociais acerca da experiência do abortamento, suas causas, condições e consequências dinâmicas sob a perspectiva das mulheres que interromperam a gestação e compartilharam sua trajetória abortiva. A fim de atingir os objetivos estabelecidos, optou-se por uma estratégia de investigação essencialmente qualitativa. Assim, como abordagem metodológica, é empregada a teoria fundamentada em dados. Os elementos fundamentais que constituem a teoria fundamentada abarcam a elaboração concomitante da coleta e da análise dos dados e incluem as perspectivas e vozes das pessoas estudadas (CHARMAZ, 2009). A coleta de dados encontra-se ainda em andamento, no entanto, os resultados dos materiais já analisados apontam que o anonimato e a acessibilidade das redes possibilitam o compartilhamento dos anseios e angústias vivenciados por mulheres em suas trajetórias abortivas. Permitem, ainda, revelar a expressão de seus sentimentos em relação à interrupção voluntária da gestação, bem como conferem representatividade àquelas que optam por cessar a gravidez, a partir da identificação de histórias de pessoas em semelhantes condições de conflito.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eixo Temático
  • 4.14 UENF - PPG Sociologia Política
Palavras-chave
Mulheres em rede
Trajetória abortamento voluntário
Teoria fundamentada