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No norte-noroeste fluminense a Mata Atlântica sofre uma descontinuidade na distribuição de suas Florestas Ombrófilas (FO), onde as Florestas Estacionais Semidecíduas (FES) alcançam a costa (área conhecida por “Falha de Campos dos Goytacazes”). Essa descontinuidade ao longo do gradiente latitudinal está relacionada a mudança climática ocasionada pelo fenômeno da ressurgência de Cabo Frio, proporcionando um clima mais estacional. Devido à complexidade e o histórico de degradação deste local, torna-se importante investigar a composição das espécies arbóreas, pois o conhecimento dos mecanismos de distribuição, sejam eles por fatores determinísticos ou estocásticos, poderá fornecer informações ecológicas que subsidiem definições de estratégias de manejo e conservação. Respondemos as seguintes perguntas: A FES da Falha de Campos dos Goytacazes merece ser tratada como unidade florística distinta? As variáveis ambientais e/ou espaciais influenciam os padrões florísticos? Quais variáveis explicam melhor os padrões fitogeográficos nesta “falha”? Utilizando a base de dados NeoTropTree, foram selecionados 47880 registros de 2541 espécies arbóreas em 152 sítios ao longo da Bacia Hidrográfica Paraíba do Sul e Litorâneas do Rio de Janeiro e Espirito Santo. Selecionamos um conjunto com 59 variáveis preditoras, derivadas de Temperatura, precipitação e edafotopográficas (resolução espacial 10x10 km), e reduzimos a colinearidade a partir do VIF < 10. Realizamos análise de agrupamento através dos algoritmos disponíveis na função “hclust” do pacote “vegan” em ambiente R. Para cada algoritmo foi aplicado o índice de Simpson. Através do Coeficiente de Correlação Cofenética verificamos a melhor combinação entre algoritmo/Índice. Em seguida, realizamos Análise de Redundância baseada em transformação Helinger (tb-RDA) com Mapas de Autovetores de Moran como variáveis espaciais. As FES da “Falha” apresentaram mais similaridade florística com a FO de terras baixas fluminense e FES do norte capixaba do que com as FES do Médio Paraíba e zona da Mata Mineira. Essa variação florística foi explicada tanto pelas variáveis ambientais (3%) e variáveis espaciais (14%), quanto pelo ambiente espacialmente estruturado (9%). A precipitação anual, inclinação do terreno, teor de argila e precipitação do mês mais seco foram variáveis que melhor explicaram os padrões fitogeográficos na região. Os resultados sugerem que as FES da “falha” apresentam filtros ambientais diferentes das FES adjacentes e, portanto, o ambiente atua como regra de montagem ao selecionar espécies capazes de persistir sob determinado conjunto de pressões impostas por ele.
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