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O Brasil é coberto por diversos biomas, nos quais sua vegetação natural está sendo substituída por outros tipos de cobertura, a maioria associada a atividades econômicas que degradam o meio ambiente. São as principais causas da perda de habitat, fragmentação e perda de diversidade biológica. Uma das ações para desfragmentação florestal é restaurar a conectividade do habitat, de modo que os corredores ecológicos têm sido importantes ferramentas para aumentar a conectividade entre manchas isoladas nas paisagens naturais, promovendo o movimento da fauna entre os ambientes. Diante do exposto, este trabalho teve por objetivo realizar um monitoramento da biodiversidade faunística que usam corredores ecológicos distribuídos dentro da APA da Bacia do Rio São João, RJ. Monitoramos seis corredores desde setembro de 2021 até janeiro de 2022. Quatro armadilhas fotográficas foram instaladas em 12 pontos de amostragens em um sistema de rodízio até completar os seis corredores. Em cada corredor, duas armadilhas foram instaladas em ambas as extremidades do corredor e permaneceram por 35 dias em cada ponto. O modelo utilizado de armadilhas fotográficas foi a Bushnell HD Agressor Low Glow e foi configurada para registrar vídeos de 20 segundos em cada disparo. Após o término das amostragens, identificamos as espécies até o menor nível taxonômico possível e através do índice “Hill Numbers” comparamos a riqueza de espécies entre os corredores. Até o momento, registramos 34 espécies no total, sendo 19 espécies de mamíferos e 15 de aves. Dentre essas espécies, a Sapajus nigritus é considerada quase ameaçada na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, e o restante é considerado como pouco preocupante. Além das espécies de animais silvestres, também foram registrados animais domésticos como cachorros e gatos, apenas dois corredores não tiveram registros dos mesmos. Os impactos dessas duas espécies estão relacionados principalmente à predação a à transmissão de doenças à fauna silvestre. O índice de riqueza, de um modo geral, demonstrou que os corredores ecológicos foram bem amostrados, variando de 78,7% à 96,67%. Uma cobertura amostral acima de 85% é um bom indicativo das espécies que ocorrem nos corredores. Após as análises feitas, é possível compreender que o presente estudo foi suficiente para avaliar o uso dos corredores pela fauna. As amostragens atingiram um valor aceitável de cobertura amostral para a maioria dos corredores. A fragmentação consequente da perda de habitat corresponde a uma grande ameaça a mastofauna e a avifauna, portanto o uso dos corredores pela fauna indica a importância dessas estratégias para a reconexão de paisagens fragmentadas.
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