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A política de cotas, enquanto modalidade de ações afirmativas, foi implementada no Brasil por intermédio de leis e/ou resoluções dos conselhos universitários, tendo como objetivo promover o acesso ao ensino público superior para candidatos de grupos sociais em posições desvantajosas, bem como amenizar as taxas de desigualdades sociais e étnicas presentes no Brasil, ao possibilitar que grupos minoritários tenham representatividade em espaços até então não ocupados. As primeiras experiências com tais políticas ocorreram no âmbito da graduação, conferindo às universidades estaduais do Rio de Janeiro, à época UERJ e UENF, destaques e pioneirismo na adoção ao sistema de cotas, a partir do processo seletivo 2002/2003, assim como promovendo questionamentos sobre o conceito de justiça, sobretudo o binômio justiça social/distributiva e justiça cultural. Na Pós-Graduação, a política de cotas é recente no Brasil. Cabe destacar o pioneirismo novamente do Estado do Rio de Janeiro na implantação, de forma legal, do sistema de cotas nos Programas de Pós-Graduação das suas universidades estaduais, a saber, UENF, UERJ e UEZO, no ano de 2014, mediante a Lei nº 6.914/2014 e sua correlata, a Lei nº 6.959/2015, normativa que determina que 30% das vagas em cursos de Pós-Graduação sejam destinadas a graduados distribuídos em três categorias: 12% para autodeclarados negros ou indígenas; 12% para oriundos da rede pública e privada de ensino superior, sendo condição, nesse último caso, o candidato ter sido beneficiado em seu curso de graduação pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), pelo Programa Universidade para Todos (PROUNI) ou por outro instrumento de financiamento estudantil governamental; e 6% para pessoas com deficiência, filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço. Assim, a pesquisa tem como objetivo analisar, por meio dos discursos proferidos pelos discentes cotistas, ingressos entre os anos de 2015 a 2021 dos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu das universidades estaduais do Rio de Janeiro, se a política de cotas na Pós-Graduação contribui para a promoção da equidade de direitos entre cotistas e não cotistas, tendo como enfoque o acesso, a permanência, a conclusão e as oportunidades para atuação no mercado de trabalho após a conclusão dos cursos. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório-descritivo, de natureza qualitativa, na qual os depoimentos dos pós-graduandos serão analisados por meio da Análise do Discurso. A pesquisa angaria relevância em virtude de a temática poder colaborar com os estudos atinentes às cotas na Pós-Graduação.
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