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A presença de vendedores ambulantes na região central e de comércio em Campos dos Goytacazes não é novidade, mas chama atenção a presença mas cada vez mais relevante de mulheres neste trabalho ligado diretamente ao modo de interagir com a cidade, o que instiga a pensar problemáticas que podem surgir dessa relação dinâmica considerando gênero, raça e classe, ponto crucial desta pesquisa qualitativa. O objetivo desse trabalho é, ao estabelecer o espaço urbano como lugar onde diferentes relações de produção são reproduzidas (LEFEBVRE, 2016), compreender como gênero e raça aparecem no cotidiano da cidade ao analisar a movimentação que as mulheres negras trabalhadoras ambulantes operam neste espaço, considerando categorias elucidadas pela perspectiva dos agentes, como discursos, trajetórias, trajetos e circuitos (MAGNANI, 2013), definindo as principais dificuldades presentes na relação destes sujeitos com a cidade, e as táticas empreendidas por elas que tornam possível estabelecer-se no espaço urbano (DE CERTEAU, 1998). Propõe-se mapear a movimentação operada pelas mulheres negras ambulantes que trabalham na região central de Campos dos Goytacazes, estabelecendo os principais trajetos por elas utilizados, os espaços escolhidos para fixar trabalho quando ocorre e os critérios para a escolha destes trajetos; descrever e compreender a relação destas mulheres com o trabalho, determinando aspectos dessa relação que permitam identificar os principais fatores que a levam a estar no trabalho ambulante e a permanecer nele; identificar, na relação entre os dois pontos anteriores, momentos em que a experiência prévia de vida e os conflitos do dia-a-dia incitam o uso das táticas cotidianas e definir como e em que sentidos elas são empreendidas na resolução das contradições da vida urbana destas trabalhadoras; elucidar de que modo a pandemia de COVID-19 afetou sua relação com a cidade, suas principais dificuldades enquanto trabalhadoras, os riscos e as táticas utilizadas enquanto recurso para existência durante esse período. Esta pesquisa de inspiração etnográfica usará o recurso metodológico trajetória de vida proposto por Bourdieu, concebido por meio da narrativa biográfica e etnográfica (MARINHO, 2017), incluindo aqui ferramentas da Etnografia de Rua (ROCHA & ECKERT, 2015), bem como recursos da Cartografia Social (PRADO FILHO & TETI, 2013) para construção de mapas dos trajetos utilizados pelos sujeitos da pesquisa, e atualmente, encontra-se no estágio de coleta de dados no campo por meio de observação e perambulações.
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