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Em 2014, o Brasil saiu do mapa da forme mundial (FAO), um problema endêmico que afeta milhões de brasileiros, um avanço significativo para um país em que a desigualdade social e econômica impera. Em 2018, o país retrocedeu e voltou a ser um país subalimentado, devido ao enfraquecimento de políticas e ações públicas, colocando novamente brasileiros em situação de insegurança alimentar e o país de volta ao mapa da fome. Logo, urge a necessidade de debater alternativas que visem colocar comida na mesa dos brasileiros, de forma responsável e plena. Na 5° Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – comida de verdade no campo e na cidade, por direitos e soberania alimentar, organizado pelo CONSEA, em 2015 discutiu-se um tema imprescindível para o presente momento: a comida de verdade, uma vez que é comum que boa parte da população tenha acesso a produtos vindos de hipermercados, onde alimentos sintéticos, com muitos açúcares, com diversos insumos químicos e pouca variedade nutricional são encontrados, ao passo que, alimentos de qualidade, in natura e produzidos de maneira responsável estão cada vez mais distantes das residências. O objetivo deste trabalho é compreender o Movimento Comida de Verdade (MCV) como uma alternativa à alimentação saudável e plena da população. A metodologia desse trabalho consiste em revisão bibliográfica, elaboração de gráficos e mapas e construção de tabelas a partir de dados secundários. O atual padrão de consumo alimentar brasileiro é resultado de processos hegemônicos que interferiram na forma que as pessoas se relacionam com a alimentação, consumo este que tem se tornado insustentável ambiental e socialmente. O MCV se consolida como um grande passo rumo à soberania e segurança alimentar da população, relacionando-se não só com uma melhor qualidade de alimentação, de forma saudável e adequada, mas também, fortalecendo a agricultura familiar, camponesa, indígena e quilombola, dando para essas pessoas visibilidade frente à população e a possibilidade de diminuição das disparidades socioeconômicas instaladas no território, além de buscar uma produção e consumo de bases agroecológicas, levando em conta a urgência da proteção da natureza e dos recursos do país, respeitando as sazonalidades e o meio ambiente. Comer comida de verdade é também tecer uma rede de conexões com a ancestralidade em volta do alimento, reconhecer saberes tradicionais e milenares e fomentar uma ligação entre consumidores e agricultores que há tempos vem sendo fragilizada através de um longo processo de reestruturação industrial, econômica e social que ocorreu ao redor do globo, sobretudo após a Segunda Revolução Industrial e a Revolução Verde.
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