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Sobre o corpo delineamos nossas identidades e, com ele, perfazemos as nossas vivências. Experimentamos nossas relações socioculturais com a pele e com todas as nossas marcas sensoriais: cheiramos, ouvimos, degustamos, tocamos e percebemos o mundo em suas multiplicidades com a história de nosso corpo. Com o corpo, transparecemo-nos, inclusive por meio da arte corporal, desde tatuagens e piercings a performances e linguagem corporal: é com ele que nos apresentamos à vida. Porém, se aquilo que transmitimos com nossa imagem destoa do que é vigente, do que é a voga de um tempo, vemos nossas identidades (aquilo que trazemos como intrinsecamente nosso, em nosso próprio corpo) em xeque. O presente trabalho visa a uma revisitação sobre a conceituação do que é o corpo, no que concerne às transformações sociais e histórico-culturais inseridas na cultura brasileira, a partir das posições de Denise Bernuzzi de Sant’Anna (1995a; 1995b; 1998; 2000; 2016). Os padrões da estética-corporal foram, historicamente, modificando-se, assim como os hábitos alimentares, segundo pautaram Vigarello (2003) e Courtine (1995), sendo que, hoje, as representações sobre o corpo, projetadas pela cultura fitness e pela aparência estética de uma pessoa magra, determinam a inclusão e inserção em meios sociais, como no âmbito do trabalho, da escola e até da família. Nesse interregno, perguntamo-nos: como o gordo se sente numa sociedade que segrega aqueles que não se encaixam em padrões e estereótipos? O que a história da obesidade neste nosso país pode nos contar? Que instrumentos (técnicos, científicos, culturais) a indústria alimentícia, sob a sombra da indústria cultural da propaganda de massa, lança mão a seu favor, ou melhor, a favor do lucro e do aumento considerável de peso populacional? Não seriam antagônicas e incoerentes as imagens midiáticas que se proliferam no cotidiano das cidades, em relação aos corpos das pessoas? Do outro lado dos problemas relativos à obesidade, como a anorexia e a bulimia estão transformando mulheres, em especial jovens, em face ao estado de temor de ser percebida como gorda, fora dos padrões. Perguntas como essas são levantadas também no livro de Denise Bernuzzi de Sant’Anna, “Gordos, Magros e Obesos: uma história do peso no Brasil”, publicado pela Estação Liberdade (2016, 184 p.) e abordadas em nossa investigação.
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