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Historicamente, políticas habitacionais foram concebidas e implementadas no país de forma
centralizada pelo Estado. Elaboradas de “cima para baixo”, de forma recorrente, tais políticas
desconsideram demadas locais, saberes e práticas espaciais de seus futuros moradores. Mais
especificamente, a presente pesquisa tem como objetivo descrever e analisar a forma como os
moradores se apropriam dos novos espaços construídos pelo programa municipal de habitação
“Morar Feliz” de Ururaí, em Campos dos Goytacazes. Do ponto de vista da metodologia, o projeto
inicial da pesquisa inclui a realização de trabalho de campo com a observação participante e a
realização de entrevistas semi-diretivas com alguns moradores do conjunto habitacional. Em
decorrência da continuidade da pandemia da Covid-19 e a impossibilidade de realização do
trabalho de campo no conjunto habitacional, estamos fazendo revisão bibliográfica com
discussão quinzenal dos textos através do google meet no âmbito do Grupo de Estudos e
Pesquisa Urbanas e Regionais – GEPUR.
É amplamente conhecida na literatura sobre programas de habitação no país a questão da
não adaptação e não fixação dos beneficiários nas áreas onde são reassentados. Muitos são
aqueles que não se estabelecem nos conjuntos e vendem, alugam ou trocam as unidades
residenciais do Morar Feliz. Diante do atual cenário da pandemia, optamos por dar inicio à
pesquisa em jornais da região e em plataformas digitais sobre essa prática de “passar a casa”
(Valladares, 1978). As possibilidades, desafios e limitações de pesquisas em plataformas digitais
vem sendo amplamente discutida por autores como Hine (2004), Miller&Slater (2004) e Bottino,
Scheliga& Menezes (2020). O objetivo dessa pesquisa é, através de matérias de jornais, da
página oficial da prefeitura e de redes sociais, mapear e acompanhar a realização dessas
práticas dos beneficiários, não previstas pelo programa. No Facebook, por exemplo,
identificamos e estamos mapeando grupos de compra e venda dessas residências do programa
Morar Feliz. Busacamos pensar em tais práticas como respostas alternativas desses moradores
para contornar uma série de desafios postos no cotidiano das vidas no conjunto residencial,
como, falta de serviços básicos de transporte, segurança e outros.
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