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Esta comunicação apresenta resultados da pesquisa “Cadê jongueiro que eu não vejo ele falar?” Etnografia e processo de patrimonialização do jongo de Campos dos Goytacazes, RJ. O objetivo foi investigar as formas de organização social de jongueiros remanescentes de Campos dos Goytacazes, RJ e do desenvolvimento de políticas culturais no âmbito nacional e municipal voltados para essa expressão cultural, tendo em vista que o jongo foi condecorado como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), no ano de 2005. Para tal, utilizamos os princípios teórico-metodológicos das ciências sociais, empreendendo o método qualitativo e etnográfico, por meio da pesquisa de campo, entre os períodos de 2014 e 2020, em que lançamos mão das técnicas de observação participante e sistemática direta, com o uso de recursos audiovisuais, realização de entrevistas, pesquisa documental e bibliográfica. O jongo é uma expressão cultural popular tradicional afro-brasileira, desenvolvida no Sudeste brasileiro, herança cultural de descendentes dos negros bantos escravizados no Brasil-Colônia. Atualmente o jongo está presente na memória e prática cultural de comunidades negras de zonas rurais e periféricas, que utilizam o jongo como demarcador de uma identidade étnica afro-brasileira. Este elemento mágico-poético, presente em suas vidas cotidianas, transmitida principalmente no âmbito familiar por meio da oralidade, é feito a partir de uma dança em roda, ao som de três tambores, do canto de pontos de jongo seguido de coro responsório. Em Campos o jongo acontece majoritariamente na localidade compreendida como Guarus, onde encontramos jongueiros alocados em diferentes bairros. Constatamos que se teve registro do jongo em mais de 35 bairros, sendo hoje encontrado nos bairros do Parque Lebret, Parque Guarus, Santa Rosa, União da Esperança e Jardim Carioca, além das oficinas realizadas pelo Núcleo de Arte e Cultura de Campos. Uma das principais rodas de jongo ocorre no Parque Guarus, com o grupo Congola I que mantêm essa tradição cultural. No que tange ao desenvolvimento de políticas culturais para o jongo no município, constatamos que somente uma o contemplou de fato, sendo a patrimonialização deste bem imaterial pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos dos Goytacazes (COPPAM) e sua inscrição no livro de Tombos online, porém, essa política pública não se traduziu no atendimento das demandas de apoio aos mestres e mestras nem na visibilização, valorização e incentivo à transmissão de saberes e fazeres específicos dessa expressão cultural afro-brasileira.
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