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A expansão do domínio territorial pelas milícias nas comunidades periféricas da região metropolitana do Rio de Janeiro, notadamente da zona oeste e na Baixada Fluminense, é fato amplamente divulgado, cuja ocorrência se sedimenta no século XXI. O presente trabalho visa verificar, a partir da percepção de defensores e defensoras públicas do Estado do Rio de Janeiro, a contribuição do Estado nessa expansão, por meio de uma política pública de segurança militarizada, que privilegia o confronto e a guerra às drogas. Como metodologia, serão realizadas 30 entrevistas semiestruturadas com os referidos funcionários públicos, buscando apurar se, na atuação profissional por eles desencadeada, há notícia de operações policiais em áreas dominadas pelas milícias e se tal prática colabora na expansão do poder desses grupos criminosos. Os resultados das entrevistas serão comparados com outras fontes documentais e, a partir delas, será confrontada a classificação de Mingardi (2014) sobre crime organizado, de modo a pautar a atuação das milícias, a partir dos requisitos que conformam algo próximo do que seria seu tipo ideal (Cano e Iooty, 2008 e Cano e Duarte, 2012). Na mitologia grega, a Hidra de Lerna é um monstro, com corpo de dragão e várias cabeças de serpente. O estudo das milícias, segundo a conclusão inicial da nossa pesquisa, aponta para organizações criminosas que existem a partir do Estado, representado em seu corpo de dragão, sendo uma das suas cabeças o Estado Criminoso, a afastar a ideia de poder paralelo ou ausência do Estado, que em tese justificaria o surgimento e a expansão miliciana(Alves, 2019).
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