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Neste trabalho, analisamos as redes de relações de poder entre o capital financeiro - na figura da MRV -, o Estado e os proprietários fundiários que organizam e produzem uma nova espacialidade a partir da expansão dos empreendimentos imobiliários em Campos dos Goytacazes (RJ). Buscamos compreender a lógica de expansão espacial dos empreendimentos e a articulação entre as escalas geográficas, demonstrando as inter-relações entre a financeirização da economia e a produção do espaço como forma de reprodução do capital superacumulado. O Estado, sob justificativa do déficit habitacional, levou adiante o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) com a finalidade de estimular o setor da construção civil e gerar emprego e renda. Com intuito de compreender a distribuição espacial desses condomínios, suas consequências e produção do espaço por um capital acumulado, mobilizamos o referencial teórico relacionado à produção e reprodução do capital no espaço urbano e o papel da cidade nesse processo. Procuramos articular os processos nas diversas escalas, uma vez que a articulação da MRV junto ao mercado de capitais e ao Governo Federal, a partir do PMCMV, tem sua espacialização e concretude em âmbito local. O nosso recorte espacial é a cidade de Campos dos Goytacazes, onde, até o ano de 2020, 4.912 unidades habitacionais foram construídas pela MRV. Analisamos a lógica de expansão desses condomínios, sua localização, presença de equipamentos e serviços urbanos e a relação entre a MRV e os proprietários fundiários. Os objetivos que norteiam a presente pesquisa são: 1) compreender o processo de urbanização brasileira e papel da cidade para o capitalismo financeiro; 2) analisar o PMCMV e sua implementação em Campos por meio da MRV; 3) analisar os eixos de expansão desses empreendimentos, 4) compreender a dinâmica espacial ocasionada por esses empreendimentos. Embora o PMCMV tenha sido uma política importante na oferta de moradia aos mais pobres, o modelo de expansão da habitação vinculado às finanças aprofundou as desigualdades socioespaciais. A expansão dos empreendimentos segue em direção a áreas periféricas onde o terreno é mais barato, de modo que os proprietários fundiários têm papel importante no que tange às áreas de expansão. Os empreendimentos ficam próximos a grandes vias da cidade, como forma de buscar o acesso facilitado, e a divulgação tende a reforçar a ideia que os empreendimentos oferecem facilidade de locomoção. Por fim, a MRV tem adotado uma estratégia de redução do comprometimento de capital fixo e compartilhamento dos riscos com relação aos proprietários fundiários, por meio da permuta ou pagamentos a prazo após a incorporação dos terrenos.
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