Estrutura da comunidade de abelhas e vespas solitárias ao longo de um gradiente de luminosidade

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Resumo

Variáveis ambientais podem ser determinantes para a nidificação de abelhas e vespas solitárias, cuja luminosidade é um dos fatores que são muito alterados pelo processo de urbanização e pode afetar a diversidade local desses insetos. Este trabalho tem como objetivo analisar a distribuição das espécies de abelhas e vespas nidificantes em cavidades preexistentes ao longo de um gradiente de luminosidade em uma área urbana, verificando as condições adequadas para maior nidificação e aumento das populações desses insetos. Os ninhos-isca, constituídos por tubos de cartolina preta inseridos em dois blocos de madeira, foram instalados em oito pontos amostrais no Setor de Ecologia Experimental (LCA/CBB/UENF) em Campos dos Goytacazes, RJ, totalizando 72 ninhos-isca em cada ponto. Quatro pontos foram localizados em áreas sombreadas e quatro em áreas ensolaradas, com variações de luminosidade entre eles (de 679 a 203610 lux). Os ninhos foram monitorados quinzenalmente durante quatro meses quanto à ocupação por abelhas e vespas e às características de intensidade luminosa aferida com luxímetro. Os resultados indicaram a construção de 126 ninhos por 14 espécies de abelhas e vespas pertencentes a quatro famílias: Apidae, Megachilidae, Crabronidae e Vespidae. A composição das espécies amostradas foi mais similar entre os pontos sombreados P4 e P8 (Jaccard= 67%), enquanto os pontos ensolarados P3 e P5 apresentaram a maior dissimilaridade quanto aos demais pontos (Jaccard= 23%). Enquanto a riqueza de espécies foi igual entre as áreas sombreadas e ensolaradas (S=10 em cada), a abundância total foi maior nas sombreadas (87 ninhos) comparativamente às ensolaradas (39). Maiores valores de abundância de ninhos e riqueza de vespas apresentaram forte relação com os menores valores de luminosidade nos pontos amostrais (R²=0,65 e R²=0,54 respectivamente), enquanto a relação da abundância e riqueza de abelhas com este fator foi baixa (R²=0,03; R²=0,32). Entre os pontos amostrais, o maior índice de diversidade foi observado no ponto sombreado P1 (H’ 1,82) e o menor no ponto ensolarado P3 (H’ 0,69), contudo essa diferença não foi estatisticamente significante (t=2,93; p=0,06). A partir dos resultados obtidos até o momento, verifica-se que a luminosidade influencia negativamente na abundância total, diversidade da comunidade e, também na abundância de ninhos e riqueza de vespas. A continuidade do monitoramento desses ninhos neste trabalho proporcionará um melhor entendimento da influência das variáveis ambientais sobre os parâmetros da comunidade desses insetos e a indicação das condições de luminosidade mais propícias para a nidificação e o aumento da comunidade em áreas urbanas.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eixo Temático
  • 1.1 UENF - Ciências Biológicas
Palavras-chave
Variável ambiental
Área urbana
Hymenoptera