Do desejo de servir ao adoecimento: reflexões sobre ser padre e freira na contemporaneidade

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Pós-Graduação-Oral
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Resumo

Este estudo aborda as implicações de ser religiosa e padre dentro da Igreja Católica no século XXI, no intuito de refletir sobre o processo de adoecimento desses indíviduos. Temos como objetivo investigar possíveis fatores sociais que podem conduzir ao adoecimento dentro da vida consagrada e clerical. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, que tem como corpus empírico dados produzidos a partir de survey, realizado junto a 6 Freiras e 4 Padres, que participaram do curso “O sofrimento emocional e afetivo na saúde mental na vida religiosa e sacerdotal”. Responderam ao questionário 5 Freiras de vida ativa e 1 de vida mista e 4 Padres diocesanos. A idade média que as irmãs ingressaram na vida religiosa foi de 19,5 anos e os padres 20,5. Atualmente a média de idade é 32,3 para irmãs e 44 para padres, com uma estimativa de 12,8 anos de tempo de vida religiosa e 23,5 de vida clerical. Com relação aos sintomas que apresentam atualmente, 5 religiosas sentem-se estressadas, 4 sentem-se ansiosas, sozinhas e com irritabilidade e 3 sentem-se tristes, desanimadas, fadigadas, com medo e com dificuldade de raciocínio. Já no que diz respeito aos padres o que predominou foi a fadiga (2) e a ansiedade (2). Os maiores desafios elencados pelas irmãs foram: lidar com as pessoas, com as pressões e com as expectativas, a vida fraterna, a cobrança da comunidade interna, o autoritarismo e ter que tomar decisões sem ter experiência. E pelos padres: a evangelização no tempo moderno, a falta de interesse, ter que aprender a conviver com as polarizações dentro da Igreja e com grupos tradicionalistas, as questões financeiras, toda a demanda de um pároco e ter que estar sempre disponível para os outros. Dentre as 6 irmãs, 3 não descansam nenhum dia na semana, já os padres, 3 descansam 1 vez na semana e 1 não descansa. A menor nota que os padres atribuíram para sua saúde mental foi 3 e a das irmãs 2. Conclui-se que a falta de privacidade, de liberdade, de descanso, excesso de cobrança e de trabalho, exigências institucionais, anulação da individualidade e abuso de poder da parte de líderes religiosos, podem atuar como propulsores no advento do sofrimento e do adoecimento na vida religiosa e clerical. Uma questão a ser observada, é que o pouco descanso, afeta a qualidade de vida nas dimensões psíquicas, biológicas, emocional e social. Isso posto, percebe-se que apesar de estarem a menos tempo na vida religiosa que os padres, as irmãs apresentam uma tendência maior ao adoecimento, tendo em vista os sintomas elencados, o que pode estar atrelado as funções desempenhadas por ambos e ao menor tempo de descanso das religiosas, com relação aos padres.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eixo Temático
  • 12 PPG Sociologia Política
Palavras-chave
Adoecimento
Vida religiosa e clerical
contemporaneidade