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A Lagoa de Cima (LC) foi transformada em Área de Proteção Ambiental em 1992. No entanto, historicamente esta região sofreu um processo de mudança de uso de solo onde seu entorno foi modificado pela produção rural com a dinâmica de corte e queima de cana-de-açúcar, assim como criação de gado. A região do Imbé está inserida na bacia de drenagem desta lagoa e possui um importante remanescente da Mata Atlântica. Essa transição de cobertura vegetal resulta na mudança da matéria orgânica (MO) que é transportada para o solo da LC. Avaliar a composição das fontes de MO através da análise elementar e isotópica do carbono (C e δ13C, respectivamente) e do nitrogênio (N e δ15N, respectivamente) torna-se relevante para compreendermos os processos na interface sistema terrestre e aquático da LC. Os processos de erosão são intensificados com a mudança de uso do solo da bacia de drenagem. Portanto, o material particulado em suspensão (MPS) é um importante componente para inferir sobre a dinâmica da matéria orgânica presentes nos solos. Assim, o presente projeto teve o objetivo de determinar a composição das fontes de MO neste sistema, a saber: plantas de ciclo fotossintético C3 (Mata Atlântica) e C4 (pastagem e cana-de-açúcar). As coletas de água superficial foram realizadas em outubro de 2020 em 14 pontos da lagoa, sendo 3 destes em canais que alimentam (rio Imbé e Urubu) e escoam para Lagoa Feia através dos Canal do Ururaí. As amostras foram filtradas em filtros de fibra de vidro (GFF), pesadas e encapsuladas para leitura no analisador elementar Flash 2000 acoplado à um espectrômetro de massa Delta V Advantage. A fim de determinar a porcentagem de MO oriunda de plantas C4 foi utilizado o modelo de mistura linear de duas fontes. A razão atômica entre C e N ((C:N)a) variou de 10 a 13, enquanto que os valores de δ15NMPS e δ13CMPS variaram entre 3,8 a 5 ‰ e -28,6 a -26,8 ‰, respectivamente. A contribuição de C4 para o MPS variou de 11 a 21 %. As assinaturas isotópicas mais enriquecidas em 13C foram achados na confluência dos rios que desaguam na LC. Estas áreas drenam áreas de produção rural ao longo de seu curso, além de constante inundação que levam o aumento de MPS para a coluna d’água da LC. Os resultados de δ13C acoplados com os de δ15N e (C:N)a mostraram a maior influência de plantas de ciclo fotossintético C3 para o MPS da LC. Entretanto, vale ressaltar a abundância da comunidade fitoplanctônica e de macrófitas aquáticas na coluna d’água. Essas plantas, possuem valores similares a vegetação terrestre. Concluindo, embora a bacia de drenagem da LC seja dominada por pastagem e cana de açúcar, a MO presente no MPS é predominantemente compostos de plantas C3.
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