Análise de Emissões de CO2 e Trilema de Energia nos BRICS

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Resumo

Muito tem se discutido a respeito das mudanças climáticas provocadas pelas emissões de gases do efeito estufa. Entretanto, um sistema ideal não deve apenas ser ecologicamente correto, mas também garantir o suprimento de energia e estar disponível para toda população. Nesse contexto, esse trabalho teve o objetivo analisar a participação da energia renovável em relação ao desenvolvimento e sustentabilidade energética para os países dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul). Para tanto, foram utilizadas duas metodologias. A primeira, Identidade de Kaya, busca quantificar as emissões de CO2 e relacioná-las com a população, PIB e energia primária. Por sua vez, a segunda, o Trilema de Energia considera que a sustentabilidade energética deve ser pautada sob três aspectos: seguridade energética, equidade energética e sustentabilidade ambiental. O conceito foi criado pelo Conselho Mundial de Energia, que divulga anualmente um documento atribuindo uma nota para cada país, formando assim um ranque onde é avaliada a capacidade da nação de fornecer energia sustentável ecologicamente, com segurança e acessibilidade. O período de tempo considerado para a pesquisa foi de 1990 e 2018, com dados da participação das fontes renováveis na matriz energética, emissão de CO2 em função da população, emissão per capita e emissão por PIB, incluindo também o grupo OCDE e mundo para efeito comparativo. Foi feita uma avaliação da posição dos BRICS no ranque de Trilema de Energia, a fração do uso de energia renovável na matriz energética, e seu IDH, incluindo para análise os 10 primeiros países do ranque. Os resultados mostraram que os países desenvolvidos apresentam queda nas emissões de CO2, caminho oposto do seguido pelos em desenvolvimento. O Brasil, mais especificamente, caminha na direção contrária à dos outros países dos BRICS, com piora também na intensidade energética. Entretanto, ainda é a nação com melhores indicadores ambientais. Não foi observado um padrão entre desenvolvimento e participação de energia renovável nas matrizes energéticas. No entanto, países com alto IDH apresentam um sistema de energia mais bem avaliado. Equidade e seguridade energética são bem atendidos pelos países desenvolvidos, pois estão fortemente ligados à política, ao planejamento e à distribuição de renda. Dessa maneira, o uso de fontes mais limpas não tem um impacto muito forte no trilema de energia. Até mesmo porque outros indicadores, como intensidade energética, que está relacionada com eficiência e tecnologia, são usados para avaliar a sustentabilidade ambiental.

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Instituições
  • 1 Instituto Federal Fluminense
  • 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense - Campos dos Goytacazes
Eixo Temático
  • 23 Mestrado Profissional em Sistemas Aplicados à Engenharia e Gestão (SAEG)
Palavras-chave
emissões de CO2
Trilema de Energia
Identidade de Kaya