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Interferências humanas em lagoas do Norte Fluminense ocorrem desde o séc. XVII, pela proximidade à capital agroindustrial da região, e foram fortemente intensificadas a partir de 1940 com obras de infraestrutura realizadas pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento. Na literatura, vários índices são aplicados no contexto de avaliação de risco ambiental por elementos traço. O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos da urbanização nas lagoas do Campelo e do Jacaré, através da análise de elementos traço (Cd, Cu, Hg e Zn) no perfil sedimentar (100 cm) destes ambientes, assim como realizar avaliações de risco ambiental aplicando três índices com diferentes abordagens: univariada(Igeo) e multivariadas (RI e mPEC-Q). Os metais foram divididos em 2 grupos baseado em seus padrões de distribuição: 1) Zn (homogêneo ao longo do perfil nas duas lagoas); e 2) Cd, Cu e Hg (aumento com a profundidade no Campelo e diminuição com a profundidade no Jacaré). Maiores concentrações de Cd e Zn foram observadas no sedimento da lagoa do Jacaré em relação ao Campelo, provavelmente associadas à influência urbana 42,4% maior na lagoa do Jacaré, em relação ao Campelo, junto às atividades antrópicas ligadas aos metais desenvolvidas próximo à lagoa (extração de argila e aplicação de agroquímicos fosfatados e esterco animal em cultivos agrícolas). Maiores teores de Cu encontrados na lagoa do Campelo foram associados à maior contribuição natural local, junto ao despejo de resíduos de uma usina sucro açucareira a um dos canais de ligação da lagoa. Para Hg, maiores teores foram observados na lagoa do Campelo em relação ao Jacaré, provavelmente pela convergência de duas atividades antrópicas ligadas ao metal nesta lagoa (aplicação de pesticidas organomercuriais em cultivo de cana-de-açúcar e extração de ouro aluvionar realizada no RPS). A proibição do uso dos agroquímicos à base de Hg e o controle da quantidade de Hg para mineração a partir de 1981, e o encerramento da usina sucro açucareira do Campelo na década de 90 são possíveis explicações para o padrão diminuição do enriquecimento apresentado pelo Cu e Hg na lagoa. A expectativa sobre os índices multivariados (mPEC-Q e RI) fornecerem um cenário de avaliação de risco mais preciso e holístico em relação aos índices univariados (Igeo) foi aceita, sendo mais sensíveis e capazes de indicar o grau de poluição nas lagoas. A aplicação dos índices em conjunto à troca dos metais do sedimento para água intersticial no perfil forneceu uma avaliação de risco mais robusta para os sedimentos de lagoas à nível de: enriquecimento (Igeo), disponibilidade (água intersticial), e toxicidade dos metais à biota (RI e mPEC-Q).
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