ANÁLISE DA MICROBIOTA INTESTINAL DE TRUTA ARCO-ÍRIS (Oncorhynchus mykiss, WALBAUM) E SEU AMBIENTE AQUÁTICO NA REGIÃO SERRANA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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Resumo

A truticultura é uma atividade aquícola amplamente desenvolvida nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, incluindo a região serrana do Estado do RJ, alvo deste estudo. A antibioticoterapia é adotada na profilaxia e tratamento de doenças bacterianas. No entanto, estes fármacos atuam em bactérias comensais e patogênicas da microbiota intestinal de peixes saudáveis e doentes, o que aumenta a presença de resíduos no ambiente se utilizados de forma indiscriminada, favorecendo a pressão seletiva de bactérias resistentes aos antimicrobianos e ao aumento da transferência horizontal de genes de resistência entre diversas populações bacterianas. O trabalho teve como objetivo realizar o levantamento de microrganismos comensais e patogênicos cultiváveis do conteúdo intestinal de trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss) e seu ambiente aquático para pesquisa de bactérias multirresistentes aos antimicrobianos e fatores de patogenicidade circulantes na região. Foram coletados 50 peixes da espécie O. mykiss e 9 amostras de água dos tanques ativos. Destes, obteve-se 222 isolados bacterianos, e posteriormente foi avaliado o perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos. Do total de isolados, 54,5% (n=121) apresentaram-se bactérias Gram-negativas, destacando-se espécies da Família Enterobacteriaceae, Aeromonaceae e Pseudomonadaceae; e 45,5% (n=101) Gram-positivas, destacando-se espécies do gênero Staphylococcus, Enterococcus, Lactococcus, Streptococcus, Kocuria spp. e Gemella spp. Foi observado que 65,3% (n=79) das bactérias Gram-negativas e 82,2% (n=83) Gram-positivas apresentaram resistência a pelo menos um antimicrobiano e o perfil de multirresistência foi observado em 7,4% (n=9) e 36,6% (n=37), respectivamente. Em ambos os grupos, observou-se maiores percentuais de resistência aos antibióticos da classe beta-lactâmicos: CFL (45,5%), AMC (27,3%), AMP (26,5%) e CFO (24%) para Gram-negativas; AMO e OXA (48,5%), AMP (42,6%), PEN (39,6%), CLI (33,7%), GEN (28,7%) e TET (27,7%) para Gram-positivas. Na análise molecular, cepas de Staphylococcus spp. (n=51) submetidas à técnica de PCR para detecção do gene mecA resistente à meticilina e detecção de enterotoxinas estafilocócicas A, C e D, apresentaram os resultados: 33,3% (n=17) positivas para o presença do gene mecA; 98,0% (n=50) para o gene sea; 9,8% (n=5) pra o gene sec; e 13,7% (n=7) para o gene sed. Considerando a diversidade microbiológica, perfil de resistência aos antimicrobianos associado aos fatores de virulência, é importante orientar os produtores quanto à adoção de práticas sustentáveis na truticultura, a fim de prevenir a disseminação de genes resistentes e suas consequências no ambiente e na saúde pública.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eixo Temático
  • 7 PPG Ciência Animal
Palavras-chave
Truta arco-íris;
Microbiota intestinal;
Multirresistência aos antimicrobianos