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O Brasil é um país marcado por um longo processo de colonização, que produziu o genocídio em massa da populações indígenas e a utilização de mão de obra negra escravizada obtida por meio do tráfico de africanos. Santos (1983) traz que o negro brasileiro é tratado de forma pejorativa, e possui uma posição social inferior como herança dessa sociedade escravagista. O branco, com o objetivo de sustentar o seu local de privilégio e atender a sua demanda de dominação (Fanon, 2008), continua reproduzindo os ideais racistas. O presente trabalho tem como objetivo entender como o racismo captura e interfere no processo de identidade de crianças e jovens negro/as quilombolas, e quais os meios de resistência desses corpos frente a isto. Trazemos essas reflexões a partir de uma pesquisa-intervenção realizada na comunidade de Cafuringa, localizada na área rural do município de Campos dos Goytacazes - RJ, a qual contou com a participação de 30 crianças e jovens, de 3 a 24 anos. Os métodos utilizados foram elaborados processualmente, a partir das idas a campo e das relações que a equipe de pesquisa, formada pela coordenadora e estudantes de iniciação científica do curso de Psicologia, estabeleceu com os participantes a cada encontro. Os resultados apontam a reprodução do racismo a internalização de um ideal de ego branco, isto é, entendendo que a formação da identidade se dá pelos afetamentos que a criança estabelece nas suas relações com os outros, os adultos e a cultura, por intermédio dos investimentos eróticos de seu corpo e pensamento, ao analisar esse processo no corpo negro, temos o seu modelo ideal marcado por um fetiche da brancura, resultado da decantação de suas experiências da infância (Santos, 1983). Por conseguinte, constitui um repúdio a tudo que escapa desse ideal, ou seja, sua cor e seu corpo. Contudo, notamos no grupo, um movimento de reflexão e de mudanças de perspectivas individuais e coletivas as quais caracterizam-se por um processo de autovalorização e de compromisso com seus pares. A medida com que o reconhecimento e a ressignificação ocorrem, acabam reforçando a formação dos laços e do sentimento de pertencimento à comunidade. Por fim, os resultados revelam a necessidade da Psicologia agir para desnaturalizar o corpo branco como centralidade e o fortalecimento de recursos e estratégias para a resistência do corpo negro, lutando contra a perpetuação do racismo.
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