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Este trabalho tem como objetivo compreender o sentido da morada em acolhimentos institucionais para crianças e adolescentes que vivenciam a medida de proteção especial preconizada pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). Entende-se que é através do espaço da morada que os sujeitos constroem as experiências exprimindo sua maneira de ser e estar no mundo, conforme os modos de representações, ações e usos que fazem do lugar. O projeto foi realizado no âmbito do Núcleo de Pesquisa sobre Infâncias, Juventudes e Políticas Públicas (NIJUP) e foi parte da pesquisa “A vivência nos serviços de acolhimento: a escuta de crianças e adolescentes acolhidos”. A metodologia adotada no trabalho consistiu em pesquisa bibliográfica a fim de contribuir para desvelar a realidade pesquisada; pesquisa de campo, em 6 acolhimentos institucionais de crianças e adolescentes em Campos dos Goytacazes/RJ; sistematização e análise dos resultados e apresentação dos resultados para a equipe técnica dos acolhimentos. Percebeu-se que há uma preocupação por parte da equipe técnica, coordenação e educadores/cuidadores de oferecer um local com condições adequada de habitação, com recursos que propiciem cuidados básicos a higiene, alimentação, segurança, educação, saúde e atividades culturais que reintegrem aos serviços oferecidos pela comunidade. No entanto, o acolhimento é visto pelas crianças e adolescentes como um lugar passageiro, sendo compreensível a falta de identidade atribuída a esse espaço, uma vez que é uma medida excepcional e provisória. Há uma vivência assinalada pelo convívio coletivo e possibilidades de reintegração familiar, constituída através de uma rede de ajuda entre os acolhidos, no qual no convívio diário estabelecem os sentidos dos espaços do acolhimento, através do uso. À vista disso, consumamos que a vivência nos acolhimentos institucionais constitui parte da vida destas crianças e adolescentes, e para que seja transformada em experiência é importante o reconhecimento e reflexão dessa situação vivida. Portanto, atividades que incentivem o pensamento dessa vivência pelos gestores do acolhimento e acolhidos, é necessária, pois, evidencia que esse exercício é oportuno para a percepção de si e do mundo e construção de uma experiência que lhes é própria, sendo coletiva também.
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