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O fenômeno da evasão escolar tem sido observado há vários anos e tem desafiado a compreensão dos pesquisadores. É curioso como esse assunto vem sendo tratado da mesma forma ao longo de meio século, porque apresentam a mesma abordagem conceitual e metodológica nas pesquisas e a mesma motivação, decorrente dos altos índices de evasão relacionados aos descompasso entre os investimentos de verbas públicas nas instituições com os resultados pouco satisfatórios que são apresentados por elas. Embora a evasão seja uma realidade que afeta todos os segmentos da educação, seu discurso acadêmico-econômico não é suficiente para dar conta da complexidade desse fenômeno. Ademais, os dados estatísticos pouco contemplam o problema, nem mesmo verificam a correlação, positiva ou negativa, entre sucessivas reprovações, base acadêmica do ingressante, base familiar, desempenho docente, integração social, transferência de cursos ou de instituições, tempo de conclusão do curso, grau da aprendizagem, dentre outros aspectos com os índices de evasão. Há uma questão prática forte para se desacreditar nos estudos sobre a evasão, pois esses, ao apontarem aspectos de exclusiva competência do estudante para as causas do abandono escolar, parecem ter dificuldade em admitir que a escola tem sua responsabilidade como instituição educadora – o de auxiliar os estudantes nas soluções mais construtivas, abrangentes e integrativas para promover a permanência. Pela perspectiva da evasão, a escola não apenas fica isenta de sua responsabilidade, como também ignora, convenientemente, a possibilidade de buscar soluções pelo simples fato de julgar que o problema está fora do seu alcance e que se concentra na decisão exclusiva do estudante. A partir desses questionamentos, o objetivo pretendido aqui é apresentar um Estado da Arte em torno das teses sobre o tema da evasão, com o apoio de um levantamento acerca dos modelos explicativos de evasão que serviram de base para a trajetória das políticas educacionais e pesquisas acadêmicas. A relevância da natureza deste trabalho justifica-se pela tentativa de elucidar quais dimensões e aspectos sobre a evasão escolar vêm sendo destacados em diferentes tempos e espaços, e como e sob quais condições os modelos explicativos contribuem para promover ações institucionais que visem à permanência do estudante. Como resultado, observou-se que os modelos explicativos propostos sobre a evasão, desde então, tem tido pouca efetividade com as questões práticas de permanência, parecendo exigir e guiar novos estudos, os quais se arrisca aqui em afirmar que representam a transição da perspectiva da evasão para a da permanência – uma tendência de mudança de paradigma.
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