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As áreas protegidas na Mata Atlântica diferem grandemente quanto ao estágio de conservação, inclusive dentro da própria unidade, o que é um desafio para a preservação das comunidades biológicas e suas funções no ecossistema. O objetivo deste estudo foi analisar, espacial e temporalmente, a comunidade de abelhas e vespas em locais com diferentes níveis de conservação dentro de uma área protegida. Cavidades em gomos de bambu e tubos de cartolina foram usadas para atração de abelhas e vespas nidificantes, em 10 pontos amostrais na Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba-EEEG, em São Francisco de Itabapoana (RJ), e foram monitoradas mensalmente de mar/2016 a fev/2018. Os pontos amostrais foram caracterizados quanto à temperatura, umidade, velocidade do vento, intensidade luminosa e cobertura do dossel. A comparação da comunidade ao longo do tempo baseou-se em dois inventários realizados anteriormente na mesma área (T1: Silva, 2009 e T2: Teixeira, 2011) e o presente trabalho (T3), equalizando-se para isso os esforços amostrais dos três estudos. Na comparação entre os pontos, os maiores valores de abundância de ninhos construídos (23,5%), de riqueza de espécies (65,2%) e de espécies exclusivas (13%) foram obtidos em P4, associados aos maiores valores de cobertura do dossel e umidade, de acordo com a PCA. Além disso, P7, que apresentou a menor abundância de ninhos (3,5% do total de ninhos amostrados), foi associado principalmente aos maiores valores de velocidade do vento e temperatura. Ao longo do tempo, a riqueza foi maior no presente estudo (T3: 24 espécies) em relação à T2 (18) e T1 (11); contudo a abundância de ninhos foi maior em T2 (159 ninhos) comparada à T3 (139) e T1 (90). A riqueza total estimada para a área nos três inventários foi de 11, 23 e 50 espécies, correspondendo a 100%, 78% e 48%, respectivamente, das espécies amostradas. Estes resultados apontam para o aumento da riqueza de espécies na área no período de 2005 a 2018. A diversidade das espécies fundadoras dos ninhos foi significativamente maior no presente estudo (H’= 1,3999) em relação ao estudo realizado na área em 2005 (p= 0,03654, t= -2,1078). Os resultados mostram que os fatores ambientais associados aos estágios de melhor conservação da EEEG, como maior cobertura do dossel e umidade e menor temperatura e velocidade do vento, influenciaram positivamente os parâmetros da comunidade de abelhas e vespas. As maiores riqueza e diversidade de abelhas e vespas observadas ao longo do tempo provavelmente relacionam-se às medidas de conservação e mitigação de impactos ambientais adotadas pela gestão da EEEG e consequente aumento na diversidade de recursos para essas abelhas e vespas.
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