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As formas de abordar a segregação socioespacial nas cidades são diversas. Dentre as várias abordagens, a segregação racial não é considerada. A questão étnico racial aparece geralmente condicionada a outros fatores, dentre eles a renda dos indivíduos negros, com intuito de explicar a segregação existente sem mencionar que os indivíduos de diferentes tons de pele são impactados de maneiras distintas. O processo histórico do país como um todo demonstra a subvalorização da população negra e a enorme desigualdade com relação à população branca, refletidas no espaço urbano com diferentes localizações e acessos distintos aos recursos da cidade. Após a abolição da escravatura, os ex-escravos foram expulsos das áreas centrais e buscaram os locais mais afastados para ocuparem. Em Campos dos Goytacazes muitos foram para a margem esquerda do rio Paraíba do Sul, área desvalorizada até os dias atuais e que possui a maior concentração de pessoas pretas da cidade. Este trabalho é um recorte da dissertação intitulada "Formação Socio-histórica do Subdistrito de Guarus em Campos dos Goytacazes - RJ: Um processo de segregação". Objetiva-se aqui destacar a segregação racial existente no subdistrito de Guarus, que concentra a maioria das pessoas que se declaram pretas ou pardas na cidade de Campos dos Goytacazes. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e o levantamento de dados do subdistrito de Guarus em fontes secundárias, como mapas elaborados pelo Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioambientais (NESA) com base no IBGE que mostram as especificidades de cada área da cidade. O terceiro subdistrito possui a maior inserção de pessoas pretas e pardas na cidade e tem, em seus bairros mais afastados, entre 66,4% e 89,1% de moradores não brancos, áreas essas que coincidem com os menores rendimentos mensais por domicílios (entre R$ 188,12 e 469,92), com as menores taxas de alfabetização e com os maiores índices de violência de todo espaço urbano da cidade. Os dados demonstram que a população preta e parda ocupa as áreas periféricas e possuem menor acesso às facilidades urbanas e menor capacidade de ascensão na sociedade. Conclui-se que a segregação racial impõe diversas barreiras a população negra, que habita predominantemente as áreas que são mais afastadas e possuem menos recursos e reforça que a desigualdade ultrapassa o âmbito econômico e se articula com as questões de cor e raça. Torna-se evidente que a segregação existente no subdistrito de Guarus está ligada ao racismo estrutural que deixa a população, predominantemente preta e parda, mais exposta à exclusão das estruturas presentes no espaço urbano
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