SOU EU, SOU EU! SOU EU???

Vol. 1, 2019. - 109566
Trabalho
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Resumo
PALAVRAS-CHAVE: Corpo; Negritude; Identidade. APRESENTAÇÃO Este texto é uma contextualização da experiência de construção do vídeo documentário realizado nas aulas de Educação Física – Desporto, do curso de Ensino Técnico Integrado ao Ensino Médio da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – EPSJV/Fiocruz, com o objetivo de resgatar a memória de atletas negras e negros do cenário esportivo brasileiro. O vídeo tem como narrativa central, a percepção dos alunos do 2º ano do Ensino Médio do curso técnico de Análises Clínicas, ao realizarem uma pesquisa sobre a temática étnico racial no esporte e a naturalização da invisibilidade da negritude dentro deste cenário. A pesquisa “Sou eu, sou eu! Sou eu???”, foi apresentada em seminário como parte integrante da avaliação da disciplina de Educação Física, no 2º trimestre do ano letivo de 2018. A experiência em mediar esse processo de aprendizagem promoveu uma aproximação entre os alunos e os atletas através da discussão sobre identidade negra. Segundo Gomes (2002, p. 42) O tornar-se negro enquanto uma construção social e individual se materializa na concretude de sujeitos sociais, dotados de identidade, corporeidade e memória. Esses sujeitos, ao se relacionarem com o mundo, o fazem a partir de uma diferença que não é só cultural e histórica, mas está inscrita num corpo, na cor da pele, nos sinais diacríticos que, mesmo sendo transformados por meio de uma intensa miscigenação, continuam carregados de africanidade. Durante a construção da pesquisa a maior parte dos alunos esboçou um desconhecimento sobre a trajetória dos atletas e os marcos que estes representaram para o esporte brasileiro. Muitos pontos foram debatidos entre os alunos como possibilidades para invisibilidade desses atletas, como a prática de esportes não populares, porém o coletivo se debruçou sobre o recorte racial como fator central para invisibilidade, pois a negritude era inerente entre os atletas pesquisados. Gomes (2002, p. 39) aponta Tanto a identidade pessoal quanto a identidade socialmente derivada são formadas em diálogo aberto. Estas dependem de maneira vital das relações dialógicas estabelecidas com os outros. Esse é um movimento pelo qual passa todo e qualquer processo identitário e, por isso, diz respeito, também, à construção da identidade negra. Diante desta problemática, a turma dialogou sobre formas de problematizar a invisibilidade dos atletas pesquisados entre os demais alunos da EPSJV/Fiocruz. Os grupos elaboraram vídeos curtos com perguntas relativas as conquistas dos atletas, essas perguntas foram exibidas na “TV POLI”, uma rede de TV interna da EPSJV. Após esta ação, construímos o presente vídeo, narrando a experiências sobre a construção desta pesquisa. O vídeo foi exibido na culminância do projeto SANKOFA 2º edição, em outubro de 2018. O nome Sankofa (Sanko = voltar; fa = buscar, trazer) origina-se de um provérbio tradicional entre os povos de língua Akan da África Ocidental, em Gana, Togo e Costa do Marfim. Em Akan “se wo were fi na wosan kofa a yenki” que pode ser traduzido por “não é tabu voltar atrás e buscar o que esqueceu. O projeto SANKOFA tem como objetivo avançar, instituir e tornar orgânico na EPSJV/Fiocruz, os estudos, as pesquisas, as atividades escolares e extraescolares sobre as questões e relações étnico-raciais. Concluímos que a totalidade do trabalho realizado com a turma de 2º Ano do Ensino Médio, provocou nos alunos reflexões sobre a abordagem das relações étnicos raciais nas escolas, a descolonização do currículo escolar e sobre a construção da identidade negra. Acreditamos que ações como estas na Educação Física promove uma educação emancipadora e reforça a construção de uma sociedade justa e igualitária para tod@s. REFERÊNCIA GOMES, N. L. Educação e identidade negra. Aletria: Revista de Estudos de Literatura, v. 9, 2002, p. 38-47. LINK DO VÍDEO O vídeo está disponível em: https://vimeo.com/332673420 AGRADECIMENTOS: Agradecemos a EPSJV/Fiocruz, ao Instituto de Educação Física da Universidade Federal Fluminense e aos alunos da turma Análises Clínicas 2017 da ESPJV pelo empenho e dedicação na disciplina de Educação Física.
Instituições
  • 1 UFF
  • 2 Professora na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/FIOCRUZ)
  • 3 Pós-graduanda em Educação Física Escolar (IEF/UFF)
Eixo Temático
  • Sala de Imagem (Fotografias/Vídeos)