Qualidade do sono e índice de massa corporal em mulheres com síndrome dos ovários policísticos

Vol. 1, 2019. - 109427
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Resumo
INTRODUÇÃO A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das principais endocrinopatias encontrada em mulheres em idade reprodutiva, com uma taxa de diagnóstico que varia entre 2,2% a 26%, dependendo do critério de diagnóstico utilizado e da etnia da população estudada (NIDHI et al, 2013). Esta é caracterizada por anovulação, hiperandrogenismo, resistência à insulina, obesidade e ovários policísticos. Embora as apresentações clínicas da síndrome mostrem esses sintomas, o que pode ter consequências graves e longo alcance são as disfunções metabólicas, como a intolerância à glicose, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares e também, distúrbios do sono (CHATTERJEE, 2014). Tais distúrbios do sono surgem a partir da duração alterada do sono e atraso de seu início, como também a dificuldade de mantê-lo e o despertar precoce, incluindo ainda períodos prolongados de vigília durante a noite e transtornos de apneia obstrutiva do sono (FERNANDEZ et al, 2018). Dessa forma, com a evidência de que a obesidade central e um alto índice de massa corporal são observados como fatores de risco para distúrbios do sono e que, mulheres que possuem tais distúrbios, encontram-se com concentrações mais elevadas de testosterona (SURI et al, 2016), o objetivo do presente estudo foi analisar a associação entre a qualidade do sono e índice de massa corporal em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. MÉTODOS Este estudo transversal recrutou 42 mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) com idade entre 18 a 36 anos, atendidas na Maternidade Januário Cicco – MEJC na cidade de Natal-RN. Foram considerados elegíveis pacientes com diagnóstico da SOP de acordo com os critérios de Rotterdam. Todas as pacientes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes da coleta de dados. Esta pesquisa foi realizada de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, sob número do parecer: 1.863.259. INSTRUMENTOS Para avaliar a qualidade do sono das participantes foi utilizado o Questionário de Pittsburgh (PSQI), traduzido e validado para o português por Bertolazi et al.18. Esse questionário possui questões relacionadas a sete componentes: 1) qualidade subjetiva do sono; 2) latência do sono; 3) duração do sono; 4) eficiência habitual do sono; 5) distúrbios do sono; 6) uso de medicação para dormir; 7) sonolência diurna e distúrbios referente ao mês anterior. Cada parâmetro possui pontuações específicas, sendo o máximo de 21 pontos, para a classificação geral do instrumento, escores como: menor ou igual 5: qualidade do sono boa; maior que 5 a 10: qualidade do sono ruim e maior que 10: presença de distúrbio do sono. Foram coletados os dados de massa total, estatura (E), circunferência da cintura (CC) e do quadril (CQ). Através desses dados foi calculado o índice de massa corporal (IMC) e a razão cintura/quadril (RCQ). Para classificar o IMC e RCQ foram utilizados os pontos de corte sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). ANÁLISE ESTATÍSTICA A análise descritiva foi apresentada em forma de média e desvio padrão (DP). Para verificar a relação entre as variáveis (PSQI e IMC) utilizou o teste de Qui-Quadrado. Para análise da associação foi utilizado o teste de Qui Quadrado (χ²) e a regressão binária logística para analisar as variáveis categóricas e detectar quais associações eram mas mais fortes. O nível de significância foi de p <0,05. RESULTADOS As características antropométricas das participantes mostrou uma média de idade (25,42±4,19), com alta incidência de mulheres com sobrepeso (12%) e obesidade (20%). Os valores da média da cintura (86,78±12,85) e do quadril (106,14±11,29) apontam valores a cima da média, segundo a organização mundial da saúde, valores acima de 80 cm em mulheres indica risco elevados de doenças cardiovasculares. Por outro lado, ao verificar a classificação do sono encontramos que cerca de 22 mulheres (52,4%) apresentava ter um sono ruim. Ao analisar a associação entre a qualidade do sono e o índice de massa corporal de mulheres com SOP foi possível observar que a maioria das mulheres com sobrepeso e obesidade apresentaram associações significativas com a qualidade do sono ruim (p.<0.03). A partir disso, a regressão logística foi realizada para determinar os efeitos da qualidade do sono sobre o índice de massa corporal em mulheres com SOP. Os resultados apresentados nos permite apontar que os pessoas com sobrepeso e obesidade obtiveram (OR= 13,4; IC=1,44 – 124,8, p. 0.02) vezes mais chances de apresentar qualidade do sono ruim, quando comparado com pessoas com peso normal. DISCUSSÃO Distúrbios do sono estão associados a piores perfis clínicos e metabólicos em mulheres com SOP (YOUNG et al, 1993) , podendo ser destacado por medidas como RCQ e IMC, ou seja, destacamos que a obesidade é um importante fator de risco. A mudança no estilo de vida é o gatilho principal para apresentar melhoras na qualidade de vida (LASS et al, 2011), e a mudança de hábitos, como a atividade física, é um importante fator contra a obesidade. Entretanto, não há evidências suficientes que associem a baixa qualidade do sono com o hiperandrogenismo. Nossos resultados entram em concordância com os achados de Suri et al (2016), no qual identificou em seu estudo que as mulheres com SOP apresentaram maior índice de circunferência de quadril e IMC, testosterona, desordem respiratória do sono e ronco, se comparado ao grupo controle. Nota-se então a semelhança com nosso estudo a partir da má qualidade do sono relatada entre as pacientes, principalmente com sobrepeso e obesidade. Além disso, este sono precário representa um grande problema de saúde, no qual irá ter repercussões no humor diurno, cognição e funcionamento psicomotor, afetando de modo contínuo as atividades diárias e o bem-estar (FERNANDEZ et al, 2018), o que sugere mais estudos a respeito da correlação entre tais variáveis e sintomas depressivos ou de uma má qualidade de vida dentre as mulheres com SOP. CONSIDERAÇÕES FINAIS Podemos concluir com esse trabalho que mulheres com SOP que apresentam um índice de massa corporal elevado sofrem com distúrbios e qualidade do sono ruim. Dessa forma, torna-se necessário que essas mulheres venham adotar hábitos saudáveis com a finalidade de reduzir futuros prejuízos para sua saúde, além disso, é necessário ter um acompanhamento sobre a qualidade de vida, estilo de vida e sono dessa população.
Instituições
  • 1 Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Eixo Temático
  • GTT 01 - Atividade Física e Saúde