INTRODUÇÃO
A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH; HIV - Human Immunodeficiency Vírus) é um problema de saúde mundial. O tratamento é realizado com a terapia antirretroviral (TARV), que apesar dos benefícios positivos, está associado com distúrbios metabólicos como a Síndrome Lipodistrófica, caracterizada pela redistribuição de gordura, associada a anormalidades metabólicas como a hipertrigliceridemia em jejum e/ou hipercolesterolemia, e metabolismo anormal da glicose (CERVIA, 2010)
Em crianças, esses efeitos adversos podem ser ainda maiores, por passarem décadas em tratamento tornam-se mais susceptíveis aos efeitos colaterais dos medicamentos e do vírus (RAMALHO, 2011). Assim, o presente estudo tem como objetivo de avaliar o estado nutricional de crianças e adolescentes vivendo com HIV/AIDS a partir da avaliação de composição corporal e avaliação do consumo alimentar.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo com delineamento tipo transversal. A amostra foi por conveniência com 18 participantes, com idade entre 6 e 18 anos, vivendo com HIV/Aids, em acompanhamento clínico no Serviço de Atenção Especializada em HIV/Aids (SAE) do Hospital Giselda Trigueiro, localizado na cidade de Natal/RN.
A coleta de dados aconteceu no Laboratório do Movimento do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A composição corporal foi avaliada pelo método indireto de Absortometria Radiológica de Dupla Energia (DEXA). O consumo alimentar foi avaliado por dois inquéritos: o recordatório 24h (R24h) e o marcador de consumo alimentar do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde (BRASIL, 2012).
RESULTADOS
Na composição corporal, o percentual de gordura foi a principal alteração observada, no qual, 55,5% dos participantes apresentaram o percentual de gordura elevado (WILLIAMS et al., 1992). Entretanto, ao avaliar a razão entre a gordura de membros e gordura de tronco não foi identificado indícios de lipodistrofia, pois todos os participantes possuíam o percentual de gordura similares no tronco e nos membros. Os demais parâmetros como peso, estatura, IMC e densidade mineral óssea para a idade estavam dentro da faixa indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (FAO/WHO, 2001).
Quantitativamente os participantes apresentaram distribuição do consumo de macronutrientes possivelmente adequado, entretanto, 83,2% dos avaliados obtiveram o consumo de fibras abaixo do indicado (FAO/WHO, 2001). 39% dos participantes não consumiram salada crua durante o período de uma semana, assim como apenas 28% consumiram pelo menos uma porção de frutas ao dia. 66% consumiram alimentos como doces, salgadinhos e bebidas industrializadas ao decorrer da semana avaliada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No presente estudo as alterações encontradas na composição corporal estão relacionadas ao padrão alimentar encontrado. A educação nutricional, junto a melhorias no estilo de vida, pode evitar ou retardar os efeitos adversos sofridos ao longo do tempo, tanto pela ação do vírus, quanto a dos medicamentos. Atitudes que podem retardar, ou até mesmo evitar o surgimento de futuros problemas no metabolismo desses indivíduos.