Esta produção se situa na tênue fronteira entre educação, educação física e arte e apresenta relações vivenciadas na formação continuada de professoras e o lugar do corpo e da expressividade na educação. A partir de pesquisa de pós-doutoramento, trazemos aqui parte das imagens que nos permitem identificar um potente gestual expressivo e comunicativo do corpo das professoras participantes da pesquisa que nos fazem refletir sobre o poder desta interação corpórea estabelecida durante as vivências realizadas. Objetivamos com a pesquisa, de maneira mais geral, que professoras de educação infantil e primeiras séries do ensino fundamental da cidade de Campinas/SP, pudessem, a partir da experimentação, sensibilização e da percepção de seus corpos, compreender possibilidades educativas e artísticas da gestualidade. E, de modo mais específico, almejamos verificar se as práticas corporais vivenciadas pelo grupo docente contribuíram ou não para que esse olhar e entendimento do gesto como forma de comunicação e expressão fossem reverberados em suas práticas docentes. Metodologicamente, propusemo-nos a realizar estudos que discutissem a temática da formação continuada e estudos que contribuíssem para o entendimento do gesto como expressão cultural e social, o qual, organizado sistematicamente pela linguagem corporal, configura-se em práticas corporais.
As imagens apresentadas são representações de um curso de extensão oferecido para professoras da educação infantil e primeiras series do ensino fundamental, com a intenção de que as mesmas compreendessem e refletissem sobre o lugar do corpo e da expressividade na educação, por meio de vivências de atividades corporais e artísticas. Numa segunda etapa do processo de pós-doutoramento, organizamos um grupo focal que foi constituído a partir de um convite às participantes do curso de extensão, a fim de discutirmos as reverberações do curso de extensão em sua prática docente.
Pudemos compreender como parte de nossos resultados uma ampliação das discussões sobre os norteadores teóricos e metateóricos fundamentais para o desenvolvimento das práticas corporais nas instituições formais de ensino, ressignificadas a partir das ciências humanas, que compreendem tanto as crianças como seu corpo docente como produtores culturais. Pudemos também reconhecer a potência da experimentação corporal por parte das professoras, como forte impulsionador para que tais manifestações corporais fossem reverberadas no âmbito de atuação docente. Mas, um resultado nos impressiona de forma especial. Trata-se da inteireza com que as professoras participantes da pesquisa se disponibilizaram a vivenciar as práticas oferecidas. Mesmo após uma longa jornada de trabalho intensa com crianças pequenas ao longo de um dia inteiro, pudemos ver, assim como nos apresentam as imagens, cenas constantes de entrega, de alegria, de encantamento, de coletividade, de apropriação, enfim, de experiência. Essa experiência, no sentido benjaminiano, nos traz a compreensão de que as práticas corporais devem também ser oportunizadas e vivenciadas pelas professoras como uma tônica de rememorar, de reviver, de reconhecer que as professoras são, antes de docentes, brincantes, mulheres, pessoas inteiras que podem também se redescobrir a partir do corpo.
Cabe ressaltar que os autores aqui responsáveis pela pesquisa e resultados trazidos de forma imagética se configuram como pós-doutoranda responsável pela pesquisa, doutorando bolsista responsável pelos registros fotográficos feitos durante a pesquisa de campo e professora supervisora responsável pelo pós-doutorado.