O presente trabalho busca refletir acerca da abordagem cientificista fundada essencialmente em prescrições disciplinadoras que compreendem o corpo como lugar de oportunidade, passível de controle via discurso moralizante – capaz de negligenciar, dentre outras dimensões da corporeidade, a singularidade do prazer de comer. Parte-se da concepção de não lugar, sustenta por Marc Augé, no sentido do espaço no qual o sujeito não se identifica implicado, onde tão pouco se pode estabelecer como relacional ou histórico, visto a substituição, intencionalmente controlada, da identidade pessoal pelo anonimato de um mero consumidor. A imersão confusa em não lugares relacionados com o consumo de alimentos desvela opções e possibilidades objetivas de compra, assumidas como idealização material. Por tal contexto é problematizado o lugar do sujeito no contexto das prescrições que impõem a afirmação da autoconsciência do saudável como preceito essencial de identidade subjetiva. Nesse mesmo universo simbólico é essencialmente importante resgatar a habilidade de construir narrativas sobre si mesmo, prestigiando o sujeito do conhecimento inscrito na dimensão de sua corporeidade, valorando nosso lugar no mundo por além de uma abordagem dessubjetivada, ancorada na racionalidade biomédica.