INTRODUÇÃO
Esta pesquisa analisa as relações estabelecidas entre os objetivos prescritos e as ações socioeducativas expressas nos discursos de coordenadores e educadores de três projetos sociais e um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que ofertam oficinas relacionadas às atividades físicas e esportivas, na cidade de Vitória/ES.
Os projetos sociais vinculados aos esportes surgiram com o propósito de complementar ou até mesmo substituir a educação formal, por meio de um viés compensatório e assistencialista, para suprir as carências e mazelas sociais decorrentes de um sistema político-econômico desigual (ZALUAR, 1994; MELLO et al., 2016). Com a ampliação dos projetos sociais pelo país, também houve o crescimento do interesse acadêmico-científico da área da Educação Física por essa temática.
Pesquisas sobre os projetos sócio-esportivos apontam que práticas externamente orientadas por gestores, que não dialogam com os sujeitos e nem com as realidades locais, tendem a gerar evasão e desistência de seus participantes, sinalizando a fragilidade entre metas e práticas desenvolvidas (MELLO, 2007).
No âmbito dos SCFV, ancorados no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), há diretrizes nacionais que visam orientar suas ações socioeducativas, nos levando a refletir sobre as possíveis relações estabelecidas entre as metas e práticas realizadas em serviços e projetos sociais integrantes (ou não) do SUAS.
Considerando o conceito de consumo produtivo, elaborado por Certeau (1998), compreendemos que as propostas externamente orientadas não são recebidas de forma passiva pelos praticantes do cotidiano e, por esse motivo, as práticas socioeducativas tanto podem reforçar as metas institucionais, em consonância ao contexto local, quanto podem desconsiderá-las, num jogo de “táticas” e “estratégias” (CERTEAU, 1998).
Ante o exposto, propomos examinar os pontos de convergências e de divergências entre os objetivos prescritos e as ações socioeducativas desenvolvidas em três projetos sociais e um SCFV. Com efeito, a análise incide sobre as propostas pedagógicas desses projetos (documentos prescritos) e os discursos de seus coordenadores e educadores sociais (cotidiano praticado).
METODOLOGIA
Neste estudo, combinamos a pesquisa descritivo-interpretativa com a pesquisa documental. Estão sendo realizadas entrevistas semiestruturadas com os educadores sociais, que ofertam oficinas relacionadas às atividades físicas e/ou esportivas, e com os coordenadores de três projetos sociais e um SCFV, pertencentes à região metropolitana da Grande Vitória/ES, totalizando 54 participantes. Os dados produzidos nessas entrevistas estão sendo analisados em diálogo com os documentos orientadores dos projetos investigados e interpretados por meio da Análise de Conteúdo (BARDIN, 2009).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Consideramos que a contextualização adequada das práticas qualifica tanto os projetos e serviços socioassistenciais, quanto viabilizam a permanência de seus participantes. Percebemos no fortalecimento das relações entre metas institucionais e práticas socioeducativas a possibilidade de desenvolvimento mútuo de seus envolvidos.