PALAVRAS-CHAVE: Professor de Educação Física; Mercado de Trabalho; Formação Acadêmica.
INTRODUÇÃO
Este trabalho abordou questões pertinentes à formação acadêmica em Educação Física diante do novo cenário no Ensino Superior. A indústria do esporte e lazer constitui uma área em desenvolvimento que tem gerado emprego, renda, investimentos e despertado o interesse de diversos grupos da esfera pública e privada. Assim, esse segmento se consolida como um campo inserido no sistema social, político e cultural na sociedade contemporânea.
Paralelamente a isso, há um crescimento vertiginoso de cursos de formação na área que seguem a lógica mercantilista e, portanto, baseados em obtenção de lucros que, de longe, não significam preocupação com um ensino de qualidade, o que leva à necessidade de ampliarmos as discussões sobre esse tema.
O CENÁRIO DO ESTUDO
As lembranças que motivaram a busca por informações bibliográficas que pudessem levar à reflexão qualquer leitor remete à década de 1990 quando a Universidade Federal de Mato Grosso se constituía como único centro de formação em Educação Física do Estado. Portanto, poucos profissionais supriam a demanda da região à época, em um dos maiores estados do país geograficamente. Por muito tempo, esse foi um problema da vida prática e, hoje, um problema acadêmico, já que nas palavras de Minayo (2001, p.17): “[...] nada pode ser intelectualmente um problema, se não tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática”.
A propagação de instituições de ensino superior, especialmente privadas e, consequente inserção de alunos em cursos de Educação Física, presenciais ou Educação à Distância (EaD), permite pressupor que a qualidade de ensino não consegue acompanhar esse crescimento, devido à predominância de interesses comerciais. A instituição é vista como uma empresa e o aluno como um cliente. Paralelo a isso, em um contexto global, a abertura política e econômica iniciada em 1980 no Brasil e entrada de investimentos estrangeiros, tem implicações no Ensino Superior que passa a ser visto com um nicho a ser explorado.
Nesse sentido, ocorre uma proliferação de cursos de Educação Física após 1991, de maneira que esse crescimento é produto das transformações e aberturas políticas e econômicas ocorridas, crescendo de 117 cursos presenciais em 1991, para 2089 cursos em 2019 (BRASIL, 2019). Gomes, Machado-Taylor e Saraiva (2018, p. 126) associam essa situação ao seguinte exemplo: “Confirma-se esse fato, o surgimento de alguns estabelecimentos de grande porte, como: o Grupo Anhanguera Educacional, a Universidade Estácio de Sá e a Kroton”. Muitas dessas instituições começaram a explorar o EaD, como uma modalidade extremamente lucrativa, inclusive com a oferta da Educação Física, fazendo com que esse modelo institucional adaptado ao segmento educacional promova conflitos entre os valores educacionais e dos negócios. (CARVALHO, 2013).
METODOLOGIA
Uma revisão bibliográfica foi realizada caracterizando um tipo de análise que corresponde às pesquisas qualitativas. Minayo (1994, p. 21) considera que esse tipo de pesquisa: “[...] responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com o nível de realidade que não pode ser quantificado”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Alguns problemas foram evidenciados com esses novos modelos educacionais: cargas horárias presenciais reduzidas, atribuição de tarefas de pesquisas encaminhadas pelos tutores dos cursos EaD, atendimentos on-line com um número grande estudantes, comprometendo a qualidade do processo.
Considera-se que o grande número de vagas e a qualidade duvidosa dos cursos prejudique a inserção desses profissionais no mercado de trabalho, que não consegue absorver o número excessivo de graduados com uma qualidade questionável para um mercado tão exigente na contemporaneidade.
REFERÊNCIAS
BRASIL. MEC. Instituições e Cursos de Educação Superior. Brasília/DF, 2019. Disponível em:
http://emec.mec.gov.br//. Acesso em: 06 jan. 2019.
CARVALHO, C. H. A. de. A mercantilização da educação superior brasileira e as estratégias de mercado das instituições lucrativas. Revista Brasileira de educação, v. 18, n. 54, 2013.
GOMES, V.; MACHADO-TAYLOR, M. de L.; SARAIVA, E. V. O Ensino Superior no Brasil: breve histórico e caracterização. Ci. & Tróp., Recife, v. 42, n. 1, p. 106-129, 2018.
MINAYO, M. C. de S. (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2001.
MINAYO, M. C. de S. Ciência, técnica e arte: o desafio da pesquisa social. In: MINAYO, M. C. de S. (org.). Pesquisa Social. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.