EDUCAÇÃO FÍSICA E A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Vol. 1, 2019. - 108900
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Resumo
INTRODUÇÃO Considerando que a educação é um direito de todos, torna-se necessário intensificar os processos de escolarização, em especial na Educação de Jovens e Adultos (EJA). A legislação brasileira possui vários instrumentos legais que fundamentam e institucionalizam a EJA como uma modalidade de educação básica. Como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394 /96), que no seu art.37 destaca: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e Médio na idade própria” (BRASIL, 1996, p. 15). Portanto, a EJA tem por objetivo atender aos adultos que, por motivos diversos, não puderam concluir seus estudos. Por isso, não se pode compreender essa modalidade da educação como uma segunda chance ou consolação para esses sujeitos, mas um direito de todos, o qual deve ser exercido. A EJA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES A pesquisa está em desenvolvimento e objetiva colaborar com o projeto pedagógico da formação de professores/as para educação física (EF), realizado pela universidade pública federal em que nos inserimos e; potencializar a produção de práticas pedagógicas que problematizam a cultura corporal hegemônica na EJA. Buscamos entender que a EF vai além da aptidão física, tendo como base o corpo histórico. O que significa buscar um novo olhar dessa EF, como ela significa o entendimento de um corpo socialmente construído (NAJMANOVICH, 2001; DAOLIO, 2004; COLETIVO DE AUTORES, 2014) e, como agregar mais docentes na prática escolar com a modalidade, pois a formação de professores para a EJA se encontra invisível na graduação. Além da referência bibliográfica, a metodologia inclui aproximar da prática docente. Para isso, dialogamos com escolas do município de Niterói para entender como esses professores atuam na EJA; quais seus desafios; como relacionam o corpo com as orientações curriculares; como a EF faz parte da matriz curricular. ESCOLA E A QUESTÃO DA CULTURA CORPORAL Daolio (2004) aborda o termo cultura relacionado à EF com base na análise pedagógica de autores contemporâneos, evidenciando que em todo o fazer pedagógico há um conceito implícito ou explicito de cultura. É possível perceber a utilização da expressão “cultura” acompanhada de termos como “física”, “corporal”, “de movimento”, “corporal de movimento”, e outros. Entretanto, essa utilização aparece de forma superficial, por vezes incompletas ou de forma reducionista (DAOLIO, 2004, p.13) Já o Coletivo de Autores (2014) traz o conceito pela lógica Materialista-Histórico-Dialética, afirmando que “os temas da cultura corporal, tratados na escola, expressam um sentido/significado onde se interpenetram, dialeticamente, a intencionalidade /objetivos do homem e as intenções/objetivos da sociedade” (p. 62). Carvalho (2017) percebe que o olhar pelo viés da cultura é considerar os movimentos, provisórios, realizados por homens e mulheres, destacando que isso se torna questão de diversas naturezas e, ao colocarmos a ideia de cultura corporal, rompemos com a aptidão física como fio condutor da EF, fazendo ligação com a corporeidade (relações antropológica, fisiológica, biológica e etc). Assim, para nós a cultura corporal torna-se a base da EF no escolar. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Querer aprender e auxiliar os cotidianos escolares e, ao mesmo tempo, trazer elementos para a formação de professores não é tarefa simples. Especialmente quando buscamos desconstruir questões acerca da cultura corporal, como ela é vista nas escolas e como essa perspectiva está nas aulas de EF na EJA. Dialogar com as escolas exige confiança e respeito mútuos; trazer a modalidade para a formação também é delicado, pois muitos acham que os/as alunos/as da EJA perderam o tempo de estudar. No desdobramento da pesquisa, intensificaremos a presença nas escolas no município de Niterói, buscando fortalecer essa relação Universidade-EJA. Por isso, importante será dialogar com os congressistas do XXI CONBRACE e VIII CONICE. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. MEC: Brasília, 1996. CARVALHO, R. M. A cultura corporal como concepção que organiza a educação física e caracteriza o escolar. Rio de Janeiro: Revista Teias v. 18, n. 49, 2017. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2014. DAOLIO, J. Educação Física e o conceito de cultura. Campinas, SP: Autores associados, 2004. NAJMANOVICH, D. O Sujeito Encarnado – questões para pesquisa no/do cotidiano. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
Instituições
  • 1 UFF
Eixo Temático
  • GTT 05 - Escola