A contemporaneidade que ora olvida o corpo, ora o faz presente, é debate pujante. David Le Breton sugere que o corpo veem à tona como estorvo a ser adormecido pelos diversos meios possíveis (fármacos, posturas, etc). Iniciei, assim, uma pesquisa qualitativa, num clube de natação de Porto Alegre. Há um ano em tal local, atuo de 3 a 4 períodos de 45min por dia, de segunda a sexta, com turmas variadas e horários flexíveis. Dediquei-me a observar, com a sensibilidade do debate teórico, os discursos e posturas dos alunos. Nesse processo a corporificação das habilidades e dos treinos idealizados, ia se fragmentando em discursos e posturas, fora e dentro da piscina. Neste trabalho foco nos casos de Gabriel e Julia, os quais evidenciaram uma categoria em comum: a dor. A dor, para Le Breton, dentro do universo de um corpo a ser esquecido, mostra-se como um elemento negativo que lhe possibilita ao próprio corpo ser um rebelde de si, uma cisão de identidade. Já, Nunes (2004), na sua etnografia sobre a pratica combinada de artes marciais, evidencia, entre outros elementos simbólicos, a ‘fabricação do corpo guerreiro’ em que dor, técnica e tática, são elementos a serem rearranjados, ressignificados, positivamente, pelo corpo que o vive e seu
contexto que o abrange.