Desvendando o desconhecido

Vol. 1, 2019. - 109439
Trabalho
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Resumo
PALAVRAS-CHAVE: pibid; mapeamento; currículo cultural; experiências INTRODUÇÃO Tomamos o currículo como uma prática discursiva e de poder, que visa a produção e o controle dos significados das coisas do mundo (LOPES; MACEDO, 2011). O currículo cultural da Educação Física (CC) possibilita a compreensão dessa produção por meio de ações que problematizam as relações de poder presentes nas práticas corporais e produzem a aprendizagem como uma experiência de si, permitindo a modificação ao máximo do sujeito pela vivência das práticas corporais (NUNES, 2018). Para tanto, indica algumas ferramentas para operar essa empreitada. Apresentamos a experiência do mapeamento de uma escola pública da cidade de Campinas. Enquanto encaminhamento didático, o ato de mapear se refere a ação de entender os aspectos que produzem as práticas corporais de determinado local, para, desse modo, ter elementos para realizar a escolha de temas de estudo. O trabalho com temas permite abordar as diversas representações que os atravessam, possibilitando aos alunxs contato com outras perspectivas de mundo, a fim de afirmar a diferença e compreender que a identidade tanto da prática corporal como a de seus representantes não é uma essência. Elas são fixadas dentro de um campo de relações de poder. Dentro desse contexto, somos flâneur (MASSAGLI, 2008). Aquele que se move em meio a multidão, observando tudo que está ao redor atentamente. Flânerie significa o ato de passear e segundo o poeta francês Baudelaire, o flâneur é inebriado pelo prazer de se achar em uma multidão. O que nos importa ao incorporar essa figura é que alocados em um ambiente diferente do nosso cotidiano, precisamos compreender cada mecanismo de representação na comunidade em que está localizada a escola, através da observação e da experiência. Nosso trabalho se limitou ao mapeamento, que foi feito estudando o entorno da escola, acompanhados de dois estudantes e voluntários da instituição, que estavam como “guias turísticos”. Além disso, conversamos, durante os intervalos, com os estudantes sobre diversos assuntos que atravessavam práticas corporais de seus interesses. Nas observações, notamos de modo claro como a escola reflete a estrutura social, como por exemplo a forte divisão por gênero em suas práticas, sendo um reflexo das representações socialmente dominantes, que adentram no ambiente escolar observado. Outro exemplo, são as práticas religiosas induzidas pela escola, como músicas cristãs em substituição ao sino convencional e também as orações anteriores ao início da primeira aula. Ela se localiza na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano da cidade de Campinas. O local, espaçoso e arborizado, facilita o desenrolar de práticas corporais. Entretanto, não existe nenhum projeto de práticas corporais por lá. Segundo um dos guias, todas as tentativas não tiveram o apoio da comunidade, dificultando a permanência de projetos de práticas corporais no local. Na ausência disso, em forma de resistência, as crianças deslocam a sua energia para brincadeiras de rua, como pega-pega, esconde esconde e pelada. Partimos para o mapeamento das práticas corporais em todos os anos do ensino fundamental, feito em um trabalho conjunto com toda a turma do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) desta escola. A partir do registro e análise, articulamos nossas escolhas políticas com o PPP (Projeto Político Pedagógico) da instituição, emergindo as tematizações de pipa (1, 2 e 3ºs anos) e futebol (4º ano) para o fundamental I, anos os quais nossa dupla é responsável. A pipa foi uma brincadeira citada com uma certa frequência nos primeiros anos, e levando em conta que tanto as expectativas de aprendizagem do estado (SP), como o PPP da escola solicitam o trabalho com brincadeiras populares, escolhemos tematiza-la, encontrando dois conteúdos principais: o uso de cerol e os festivais de pipa. Já para o futebol, consideramos que foi uma prática muito recorrente no mapeamento dos quartos anos, e que nela há um campo de problematizações relacionados a questões de gênero e da cultura hegemônica, identificados na cultura dos e das estudantes. REFERÊNCIAS LOPES, A.C; MACEDO, E. Teorias de Currículo. São Paulo: Cortez, 2011. MASSAGLI, S.R. Homem da multidão e o flâneur no conto “O homem da multidão” de Edgar Allan Poe. Terra roxa e outras terras – Revista de Estudos Literários, v. 12, 2008. NUNES, M. L. F. Planejando a viagem ao desconhecido: o plano de ensino e o currículo cultural de Educação Física. In: FERNADES, C. (Org.) Ensino Fundamental - Planejamento da Prática Pedagógica: revelando desafios, tecendo ideias. Curitiba: Appris editora, 2018.
Instituições
  • 1 Universidade de Campinas
Eixo Temático
  • GTT 05 - Escola