O presente texto busca apresentar o relato da experiência de tematização das brincadeiras com cordas, ocorrida com a turma B do 2ºano da educação básica, nas aulas de educação física da EEI Padre Francisco Silva (Rede Municipal de Campinas-SP) em 2018. Antes da definição deste tema para vivência e estudo, os participantes do Projeto PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) – Subprojeto Educação Física 2018 da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), tomaram como referência o mapeamento das práticas corporais das crianças-estudantes. Pelo seu caráter obrigatório, a escola é caracterizada pelo seu aspecto multicultural, logo, por sujeitos que lutam por reconhecimento das representações e práticas sociais que constituem sua identidade cultural. Por essas considerações, há a necessidade da escola desenvolver um currículo que priorize a heterogeneidade dos conhecimentos e a diferença. Para compreender os aspectos que norteiam os currículos da Educação Física no âmbito cultural, conversamos com diversas crianças-estudantes da EEI sobre suas práticas corporais, além de mapearmos os espaços no entorno da escola em que essas atividades possivelmente são realizadas. Segundo Nunes (2016, p.61), “a escola deve empreender ações que habilitem seus sujeitos a operar no mundo a fim de que compreendam sua história, possam analisá-la e atuar sobre ela de forma crítica e participativa nas tomadas de decisão para o bem comum”. Isto é, que seus sujeitos sejam capazes de ler e escrever o mundo todo em sua complexidade.
RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ATIVIDADES COM AS CORDAS
Este trabalho atendeu aos seguintes encaminhamentos didático-metodológicos (NUNES, 2018):
- Mapeamento: nesta primeira vivência, foram disponibilizadas, às crianças, cordas com diferentes materiais e tamanhos. Neste momento identificamos as práticas com corda já conhecidas pelas crianças. Ao final desta aula, foi solicitado que produzissem um desenho individual referente à vivência com a corda. As informações levantadas possibilitaram a elaboração de uma tabela para classificar e quantificar as atividades que foram realizadas com a corda e o planejamento das práticas para a aula seguinte.
- Ressignificação: já no segundo encontro, ocorreu uma conversa com as crianças para pesquisar o que elas conheciam sobre pular corda. Foi sugerido que pulassem corda individualmente com algumas variações e em duplas. Ao longo da prática, alguns se dispersaram e começaram a demonstrar outras práticas com cordas, como: amarrá-las no alambrado da quadra para escalarem e/ou na estrutura metálica para usarem como balanço.
- Ampliação: no terceiro encontro, foram mostrados os vídeos produzidos nas aulas anteriores e trechos de vídeos sobre rope skipping. Logo após, propusemos práticas coletivas semelhantes às apresentadas em vídeo, contendo diferentes desafios.
- Registro: foram realizados vídeos, fotos, desenhos e anotações sobre os relatos das crianças.
- Avaliação: foi um processo contínuo que correu nas rodas de conversa, nas observações, nos registros e possibilitou a (re)orientação do desenvolvimento de cada aula.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O mapeamento para identificação das práticas corporais das crianças, na escola e no seu entorno, e sua tematização são ações que vão ao encontro dos princípios estabelecidos no Projeto Político Pedagógico da escola (Campinas, 2011), dentre eles: valorização da experiência extraescolar dos estudantes, promoção de postura investigativa, ensino pelo diálogo e reflexão, apropriação e produção de cultura, respeito e estímulo à autonomia dos professores. A abordagem pedagógica ancorada na perspectiva histórico-cultural nos possibilita (re)orientar o modo de pensar e desenvolver o currículo da educação física na nossa escola.
REFERÊNCIAS
NUNES, M. L. F.. Educação Física na área de códigos e linguagens. In: Neira, M. G.; Nunes, M.L.F. (Org.); Educação Física Cultural: escritas sobre a prática. 1ed. Curitiba: RV, 2016, v. 12, p. 51-72.
NUNES, M. L. F. Planejando a viagem ao desconhecido: o plano de ensino e o currículo cultural de Educação Física. In: FERNADES, C. (Org.) Ensino Fundamental - Planejamento da Prática Pedagógica: revelando desafios, tecendo ideias. Curitiba: Appris editora, 2018.
CAMPINAS. Diretrizes Curriculares da Educação Básica para o Ensino Fundamental – Anos Iniciais: um processo contínuo de reflexão e ação. 2011.