O presente texto busca apresentar o relato da experiência da montagem do Carnaval 2019 da EEI Padre Francisco Silva (Rede Municipal de Campinas-SP) e as contribuições da Educação Física e do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) – Subprojeto Educação Física 2019 da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas).
O projeto de montagem do Carnaval 2019 nesta escola surge em consonância com os princípios propostos em seu Projeto Político-pedagógico (PPP) dentre eles: valorização da experiência extraescolar das crianças-estudantes; educação para a cidadania; apropriação e a produção de cultura; ensino pelo diálogo e reflexão; e tematização das questões de classe social, de gênero, de sexualidade e étnico-raciais de modo a superarmos as práticas de preconceito, discriminação e exclusão.
Considerando esses princípios, a escola toma parte em um processo de aprendizagem coletiva e colaborativa, enraizado nas práticas de reconhecimento dos territórios culturais (SANTOMÈ, 2013). Destacamos, neste caso, o reconhecimento do Grêmio Recreativo Escola de Samba Rosas de Prata, localizado a três quadras da escola, com vistas a potencializar ações criativas no território e produzir coletivamente conhecimento local, traduzido em produtos culturais que expressem a voz das comunidades e que constituam oportunidades de convívio, fruição, mediação e reflexão cultural.
TEMATIZANDO O CARNAVAL NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
A partir dos mapeamentos realizados dentro da escola e no seu entorno, buscando identificar as práticas corporais da comunidade (NEIRA; NUNES, 2009), foi possível identificar o carnaval como uma forte influência na vida da população do bairro Vila Castelo Branco. Na Rosas de Prata, como é reconhecida a Escola de Samba, existe a participação de muitos familiares das crianças-estudantes (SILVA, 2012). Durante os meses de fevereiro e março, o processo de planejamento das aulas Educação Física teve por objetivo a tematização do Carnaval.
Este trabalho atendeu aos seguintes encaminhamentos didático-metodológicos (NUNES, 2018):
- Mapeamento: escuta de músicas e danças a partir de referências diversas do Carnaval. Roda de conversa sobre as diferentes representações do Carnaval para as crianças-estudantes.
- Ressignificação: organização em grupo para criação de um Bloco de Carnaval, com tema e dança próprios, para apresentação aos demais grupos.
- Ampliação: levamos imagens diversas sobre diferentes carnavais no Brasil e no mundo, além de imagens de outros tipos de manifestações populares para possibilitar a problematização. Foram apresentados vídeos de desfile de escola de samba e bateria.
- Ressignificação: estímulo à criação de bloco de Carnaval, confecção de bonecos, criação de bateria utilizando os instrumentos específicos da bateria de escola de samba. Realizamos o Carnaval da Escola Padre Silva com a participação da bateria do Grêmio Recreativo Escola de Samba Rosas de Prata.
- Registro: foram realizados vídeos, fotos, desenhos e anotações sobre os relatos das crianças.
- Avaliação: processo contínuo que correu nas rodas de conversa, nas observações, nos registros e possibilitou a (re)orientação do desenvolvimento de cada aula.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A efetividade do diálogo entre as políticas públicas e as populações depende do reconhecimento desses territórios ou paisagens culturais, por meio dos quais podemos compreender e colaborar com as comunidades, incorporando seu protagonismo. Essa atitude humaniza o serviço público e configura os espaços institucionais como espaços acolhedores da diversidade, capazes de visibilizar e comunicar o conhecimento coletivo sobre o território em linguagens poéticas, estéticas e afetivas.
REFERÊNCIAS
NEIRA, M.G.; NUNES, M.L.F. Educação Física, Currículo, e Cultura. São Paulo: Phorte, 2009.
NUNES, M. L. F. Planejando a viagem ao desconhecido: o plano de ensino e o currículo cultural de Educação Física. In: FERNADES, C. (Org.) Ensino Fundamental - Planejamento da Prática Pedagógica: revelando desafios, tecendo ideias. Curitiba: Appris editora, 2018.
SILVA, Nélia Aparecida da (org). Nosso bairro tem história. Campinas,SP: INCENTIVAR, 2012.
SANTOMÉ, J. T.. As escolas no contexto das sociedades educadoras: a necessidade de estruturas flexíveis e de conexão entre as atividades escolares e extraescolares. In: SANTOMÉ, J. T. Currículo escolar e justiça social: o cavalo de tróia da educação. Porto Alegre, RS. Penso, 2013, cap. 4, p. 316-324.