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INTRODUÇÃO O Projeto “Brinquedoteca: aprender brincando”, desenvolvido em um Centro de Educação Física de uma Universidade, consiste em um espaço de intervenção pedagógica, formação profissional e de ensino, pesquisa e extensão no atendimento de crianças com e sem deficiência em processo de inclusão. O projeto objetiva promover campo de estágio aos acadêmicos, expandir os serviços de Educação Física a comunidade de crianças com e sem deficiência, incrementar a prática de ensino e pesquisa nessa área de interesse, com orientação teórico metodológica na abordagem histórico cultural. Propondo atividades lúdicas e cooperativas, o projeto usa a brincadeira e o faz de conta, para estimular as relações socio afetivas e a comunicação das crianças. Apoiados em estudos como os de: Vygotsky (1991), Kishimoto (1998), Chicon (2013), Chicon et al.(2016), ressaltamos a importância da brincadeira no processo de aprendizagem e desenvolvimento infantil. A criança se relaciona com conteúdos culturais apropriando-se, reproduzindo e ressignificando, a brincadeira é um dos meios onde a criança vive a cultura. Nesse sentido, o ambiente da brinquedoteca “[...] é um espaço criado para favorecer a brincadeira. [...] onde as crianças (e os adultos) vão para brincar livremente, com todo o estímulo à manifestação de suas potencialidades e necessidades lúdicas” (CUNHA, 1994, p. 13). Este espaço propõem a interação de crianças com e sem deficiência no mesmo espaço/tempo, mediadas pela ação dos brinquedistas, ou seja, educadores que estimulam, enriquecem e ampliam as possibilidades lúdicas da criança. Assim, o ambiente da brinquedoteca, que é rico em estímulos materiais (brinquedos), será rico também em sua diversidade, potencializando práticas inclusivas, mediadas por princípios como: a aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da diversidade humana e a aprendizagem por meio da cooperação. METODOLOGIA O atendimento é realizado com 64 crianças, de 3 a 6 anos, sendo 40 de um Centro de Educação Infantil (CEI), 1 com síndrome de Down e 23 com autismo oriundos da comunidade externa, constituindo turmas inclusivas para explorar os brinquedos, realizar brincadeiras e experimentar diferentes formas de se movimentar e se relacionar em duas atividades: “Brincando e Aprendendo na Brinquedoteca” e “Brincando e Aprendendo com a Ginástica”. Os atendimentos são realizados todas as segundas e quintas-feiras, das 14 às 15h. Das 15 às 17h30min, a equipe de trabalho se reúne para estudo, avaliação e planejamento. RESULTADOS Quantitativamente realizamos 300 atendimentos semestrais, publicamos 1 livro, 5 artigos em revista, 1 IC e 2 TCC. Os acadêmicos adquiriram experiência prático/teórica do exercício da função docente no atendimento educacional de crianças com e sem deficiência na brinquedoteca e outros espaços da universidade. Observamos que crianças com deficiência adquiriram mais independência e autonomia, melhorando a autoestima. O projeto é campo para estágio supervisionado em Educação Física e Lazer e disciplina de Práticas Inclusivas. CONSIDERAÇÕES FINAIS O projeto supre uma lacuna social existente na comunidade em relação à ausência de oferta de serviços públicos e privados no âmbito socioeducacional para crianças com deficiência, melhorando a qualidade de vida dessas pessoas. Fomenta princípios que contribuem para uma sociedade que não só reconheça a diversidade humana, mas a conceba como uma premissa de vida. REFERÊNCIAS VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 4. ed. São Paulo: Martim Fontes, 1991. CHICON, J. F. Jogo, mediação pedagógica e inclusão: um mergulho no brincar. Várzea Paulista, SP: Fontoura, 2013. CHICON, J. F. et al. Educação física e inclusão: A mediação pedagógica do professor na brinquedoteca. Movimento, v. 22, n. 1, 2016. CUNHA, N. H. S. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. São Paulo: Maltese, 1994. KISHIMOTO, T. M. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira, 1998.
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