PALAVRAS-CHAVE: Formação docente; Educação Física; Narrativas.
INTRODUÇÃO
Face ao reconhecimento dos estudos da especificidade da Aprendizagem da docência e do Desenvolvimento profissional de professores (DAY, 2001), os quais reconhecem que a aprendizagem profissional é estruturante e importante na perspectiva da qualificação da educação, surgem algumas indagações iniciais acerca da aprendizagem docente de professores em formação inicial do Curso de Licenciatura em Educação Física, as quais emergem deste contexto: o quê, com quem, quando e como aprendem os professores? Quais fatores inibem ou facilitam a aprendizagem profissional? Qual o papel dos formadores de professores, dos grupos de pesquisa, dos estágios e das residências pedagógicas nesta aprendizagem? Quais são as experiências significativas na aprendizagem? Que sentidos os professores atribuem ao seu processo de aprendizagem? Assim, a partir dessas interrogações, buscamos, neste estudo problematizar a aprendizagem profissional de professores de Educação Física.
A direção e o sentido que os professores atribuem ao próprio processo de aprender a ser professor é um tema apresentado por Christopher Day (2001, p, 17) quando sublinha que os docentes “não podem ser formados (passivamente), eles formam-se (activamente). É, portanto, vital que participem activamente na tomada de decisões sobre o sentido e os processos da sua própria aprendizagem”. Aprendizagem que é interativa e dinâmica, construída de modo reflexivo e crítico sobre as atividades práticas, numa dimensão pessoal, social e profissional, em permanente interação social (NÓVOA, 1997).
METODOLOGIA
Elaboramos como caminho metodológico um estudo qualitativo com abordagem sócio-histórica, considerando as narrativas de aprendizagem de professores em formação inicial do Curso de Licenciatura em Educação Física como um recurso de escrita reflexiva produzida a partir das questões iniciais propostas. As narrativas são oportunidades para docentes retomarem e representarem os significados de suas vivências. Inspiramo-nos nas formulações de Bakhtin (2010) quando afirma que na narrativa o sujeito exprime-se a si mesmo, numa compreensão dialógica da linguagem historicizada, pois linguagem e homem fazem parte de um mesmo processo, interligados em uma existência histórica e cultural. Para Bakhtin (2010, p. 394) “o objeto das ciências humanas é o ser expressivo e falante. Este ser jamais coincide consigo mesmo e por isso é inesgotável em seu sentido e importância”.
Nesta perspectiva, Clandinin e Connelly (2011, p. 48) elucidam que a narrativa é o “melhor modo de representar e entender a experiência. Experiência é o que estudamos, estudamos a experiência de forma narrativa porque o pensamento narrativo é uma forma chave de experiência e um modo-chave de escrever e pensar sobre ela”. A experiência articula ação, interpretação e representação do vivido (JOSSO, 2004).
DISCUSSÕES E CONCLUSÕES PARCIAIS
Nesta atividade de narrativa da aprendizagem, os professores têm o espaço e o tempo para refletirem, explicitarem e retomarem, não somente como foram se construindo profissionalmente, mas também como esse movimento construtivo e dialogado da narrativa possibilita a tomada de consciência das atitudes e ações formativas. Neste sentido, a narrativa de aprendizagem contribui para refletirem sobre o que acontece na trajetória, preocupações, alegrias, ambiente de aula, o que se fez, as atitudes, a proposta de ações ou perspectivas alternativas.
Entendemos que os processos de aprendizagem docente se desenham na relação entre os percursos de [auto]formação, nas suas experiências de vida e nas trajetórias pessoal e profissional. Assim, as narrativas de aprendizagem permitem a tessitura de ideias e reflexões acerca do que cada professor em formação inicial compreende e constrói como estudante no Curso de Licenciatura em Educação Física. Assim, dialogamos motivadas pelas narrativas de aprendizagem docente no viés das questões propostas, compartilhando nossos modos de saber e de fazer a docência, olhando as experiências como elementos necessários aos processos formativos.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. A Estética da Criação Verbal. 5. ed. São Paulo: Livraria Martins Fontes. 2010.
CLANDININ, D. J; CONNELLY, F. Michael. Pesquisa narrativa: experiência e histórias na pesquisa qualitativa. Tradução: G. de Pesquisa Narrativa e Ed. de Prof. ILEEL/UFU. Uberlândia: Edufu, 2011.
DAY, C. Desenvolvimento profissional de professores. Os desafios da aprendizagem permanente. Porto: Porto Editora, 2001.
JOSSO. M. C. Histórias de Vida e Formação. São Paulo, Cortez, 2004.
NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente. In: Nóvoa, A. (Org.). Os professores e a sua formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997.