A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental demanda uma atenção especial, de forma a que os processos de ensino-aprendizagem não sejam prejudicados. Para tal, torna-se necessário, que as crianças nesta faixa etária tomem conhecimento do novo espaço de forma segura, através de estratégias que possibilitem a adaptação desses alunos ao novo espaço físico, visto que este é mais amplo e por conseguinte menos aconchegante.
A importância deste estudo é proporcionar aos alunos a saída da Educação Infantil de forma autônoma, tendo como base os saberes da criança e respeitando diferentes aspectos do seu desenvolvimento. Por isso, o Colégio Cruzeiro Jacarepaguá desenvolveu um Projeto Piloto pautado na Orientação. O objetivo deste projeto consistiu em apresentar de forma prazerosa, lúdica e divertida. a Orientação como esporte aos alunos entre 5 e 6 anos que fazem parte do Pré II.
Este estudo visa analisar o papel do professor de EF, como agente de promoção do Esporte Orientação de forma lúdica, a fim de promover a autonomia e orientação espacial dos alunos do Pré II, e assim facilitar o processo de alfabetização.
A Orientação assemelha-se ao Jogo Caça ao Tesouro, pois possui um amplo potencial lúdico e permite que os alunos aprendam (brincando) conceitos como espacialidade e leitura cartográfica. Cunha (1998) afirma que: “Brincar é essencial à saúde física, emocional e intelectual do ser humano. (p. 35) e inspirados nesse pensamento, o trabalho pautou-se no brincar como elemento para a uma aprendizagem saudável.
Encontramos na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) a referência das práticas corporais de aventura como possibilidades de conteúdo na disciplina Educação Física, inclusive a orientação. Esta, quando bem apresentada, proporciona desafios interessantes aos alunos, já que desenvolve competências essenciais para o desenvolvimento humano. Este esporte permite a apreensão da capacidade de orientação espacial, da habilidade de planificação e leitura de mapas, da noção de distância e lateralidade, da memorização, para além da interação, socialização, trabalho em equipe, e ainda autonomia e autoconfiança. Isto permitirá que o aluno passe pelo processo de alfabetização sem tanto stress ou medo. Como refere Oliveira (1997):
“se as atividades realizadas na pré-escola enriquecem as experiências infantis e possuem um significado para a vida das crianças, elas podem favorecer o processo de alfabetização, quer a nível do reconhecimento e representação dos objetos e das suas vivências, quer a nível da expressão de seus pensamentos e afetos” (p. 37)
Este trabalho consiste num um relato de experiência realizado pela professora de EF que promoveu o projeto junto ao Colégio Cruzeiro, e que através da observação direta e anotações metódicas, obteve material consistente para a elaboração desta pesquisa acadêmica. Conforme Gil afirma a observação participante ou observação ativa acontece quando “o observador assume, pelo menos até certo ponto, o papel de um membro do grupo [...] a partir do interior dele mesmo” (2008, p. 103).
O Projeto de Orientação trouxe experiências em que o professor organizou desafios onde os alunos deveriam seguir pistas, desenhar símbolos nos mapas, traçar rotas, reconhecer o espaço, sempre usando o simbólico.
Neste projeto os objetivos de inserção e adaptação ao meio envolvente que circunda a Educação Fundamental, por parte das crianças do Pré II, foram alcançados. Assim, esta pesquisa se torna relevante ao estimular o uso do Esporte Orientação como facilitador na aquisição da orientação espacial.
Projetos como este, possibilitam aos alunos vivências corporais diferenciadas, para além de promoverem a conexão com o meio, com o grupo e com em ambientes distintos.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017.
CUNHA, M. I. O bom professor e sua prática. São Paulo: Papirus, 1998.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2008.
OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. SP: Scipione, 1997.