O boxe, como prática corporal, esteve presente nas atividades culturais desde o berço das institucionalizações esportivas, na Inglaterra do Século XVIII. Porém a quantidade e a qualidade dos estudos que abrangem o assunto teoricamente, são notoriamente escassos ao tratar a análise de sua dinâmica estrutural. É no campo teórico que, encontram-se possibilidades pedagógicas para o ensino dessa luta particular, inclusive, na escola.O estudo foi realizado por meio da análise documental do manual de regras técnicas do boxe da Associação Internacional de Boxe Amador - AIBA (2016), associando e contextualizando o estatuto constituído com exemplos e situações específicas que ajudaram na compreensão da gênese e desenvolvimento da dinâmica estrutural do boxe. Concomitante, desenvolvemos estudos bibliográficos na área da Educação Física acerca dos estudos de Nascimento (2014) e Euzébio (2017), possuindo como objetivo analisar a gênese e desenvolvimento da dinâmica estrutural do boxe - regras, dinâmica de ataque e defesa, e fundamentos técnico-táticos -, e sua finalidade.O boxe, como qualquer luta, é primeiramente estruturado e constituído por regras que validam e restringem ações corporais determinadas. Assim, temos dois agentes em um determinado espaço (ringue) ambos tendo o domínio da ação corporal de seu oponente como objetivo, sendo ação e oposição, autor e opositor um do outro, simultaneamente, desencadeando uma dinâmica de ações que não necessariamente são causadas pelas regras do esporte, mas pela sua estrutura, que pode ser ampliada de acordo com a condição de "objetivo mutuamente oposto em relação ao mesmo alvo", - determinante para seguir o controle da ação corporal do outro em um espaço como objeto central da luta-. A dinâmica de ação e oposição resulta no que Nascimento (2014, p. 174) constitui como princípios de ataque e defesa. Estrutura-se em uma dinâmica de conflito entre dois agentes condicionados por ações formuladas em regras diretas e indiretas. Tais agentes apresentam-se como dois polares (em unidade) de ação mutuamente opostos entre si, acionando movimentos de ataque e defesa de forma comutativa para conquistar o controle da ação corporal do oponente. Associando a dinâmica de ataque e defesa no âmbito esportivo, especificamente na atividade de boxe, enquadrando suas ações em orientações estratégicas, é necessário avaliar a totalidade do cenário e os objetos que constituem o mesmo, realizando uma hipótese das probabilidades de acordo com as características explicitas do terreno e dos agentes, proporcionando assim uma sistematização estratégica de orientações, em que as ações corporais, juntamente (em unidade) com o desenvolvimento das funções psíquicas superiores, configuram um seguimento com base nos dados diagnosticados para alcançar o objetivo final da atividade.Consideramos que o boxe é uma luta estruturada pela dinâmica de conflitos entre dois agentes que, em condições formuladas por regras diretas ou indiretas, apresentam-se como dois polares (em unidade) de ação mutuamente oposta entre si e agindo de forma comutativa para alcançar o objetivo do controle da ação corporal do adversário. A fundamentação técnica associada a um planejamento tático para lidar com os pontos fortes e fracos do oponente resultam em uma teoria de conflito entre estilos de boxear para alcançar o domínio da luta por meio do domínio de espaço e do controle da ação corporal do oponente.
Diante da referida análise surge a necessidade de apresentar, em estudos posteriores, proposições de ensino do boxe, em particular, e das lutas, em geral, para a educação física escolar.