A AMBIVALÊNCIA DOS PROCESSOS DE RESSIGNIFICAÇÃO NO CURRÍCULO CULTURAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA

Vol. 1, 2019. - 109077
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Resumo
INTRODUÇÃO Analisamos a ressignificação como um dos encaminhamentos didático-metodológico do Currículo Cultural da Educação Física (CC), que se caracterizam pela não linearidade e ausência de significados fixos, a saber: mapeamento, vivência, ressignificação, aprofundamento, ampliação, registro e avaliação (NEIRA; NUNES, 2009). No campo de pesquisa do CC, não há estudos acerca da ressignificação, o que suscita algumas questões: como a ressignificação é pensada pelos docentes? Ela sofre recontextualizações na prática pedagógica? Quais são os efeitos que promovem no sujeito discente? Para responder essas questões, realizamos a análise textual, nos moldes propostos pelos Estudos Culturais (COSTA, 2010), de nove relatos de práticas alinhados a essa proposta, divulgados em www.gpef.fe.usp.br. Como critério de inclusão, selecionamos seis textos produzidos por três docentes, levando em consideração o tempo de atuação de cada um como membros do GPEF. ANÁLISE E DISCUSSÃO Iniciamos por dois relato realizados pela mesma docente. O primeiro com crianças de 1º ano, no qual o tema foi “nossas brincadeiras” e o segundo a respeito do “tchoukball” com alun@s do Centro de Integração de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA). Percebeu-se a ressignificação no processo de reconhecer a cultura corporal original e a dificuldade dos discentes em vivenciá-las na realidade escolar, sendo necessário pensar em outras formas de jogar, de criar novos jogos e desenvolver estratégias. Nota-se que a docente destaca a ressignificação como resolução de problemas que interferem na aprendizagem da prática corporal, dando pouca relevância para com as identidades em cena. O que se nota é a aproximação com teorias de aprendizagem pautadas na psicologia. Outro professor escolhido, realizou um trabalho com “Ginástica Rítmica Desportiva” com uma turma do 7º ano e outro com o “macaracatu” também para alun@s do CIEJA. Observamos nos trabalhos desse docente, que ele toma a ressignifição como um processo de criação, que só acontece após as vivências e das atividades de aprofundamento da prática corporal escolhida, potencializando a produção da diferença. Em trabalhos com o “skate”, com alunos de 5º ano, e o estudo do tema “futebol e a copa do mundo”, com os alun@s dos 6ºs anos, realizados por outro docente, encontramos a ressignificação nas adaptações das manobras, para torná-las mais fáceis, aproximando-se do primeiro relato analisado. No caso do estudo acerca da Copa do Mundo observamos a ressignificação da prática corporal de outra maneira. Ela ocorreu na produção de outros modos de pensar o tema quando discursos de preconceito foram desconstruídos e reconstruídos por falas de valorização da prática corporal em estudo. CONSIDERAÇÕES De acordo com o pensamento de Hall (1997), é possível afirmar que uma prática social para produzir efeitos, a depender dos significados postos antes, durante e depois das vivências resultam na produção de identidades transitórias que resistam às tentativas de fixação de identidades e aos dispositivos de normatização. Diante dessa afirmação, consideramos que a ressignificação é uma prática social que quando em ação teve o efeito de produzir diferentes maneiras de vivenciar e dizer acerca das práticas corporais tematizadas nos relatos. Também foram encontradas formas de hibridização curricular, pelas quais a ressignifição centralizou-se na resolução de problemas para aprendizagem da prática corporal e não na problematização da identidade da prática e de seus representantes, afastando-se dos pressupostos do CC. O que se percebe é que nos relatos analisados, o CC está no entre-lugares das teorias curriculares.
Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Eixo Temático
  • GTT 05 - Escola