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A residência multiprofissional em saúde (RMS) nasce como uma proposta de educação continuada pela formação em serviço, mas ao longo dos seus poucos anos, se configura em um treinamento em serviço, mais focado na execução de práticas profissionais e menos no fortalecimento da fundamentação teórica que subsidie essa prática (Castro, 2013). Se mostra um campo fértil e importante na consolidação do Sistema Único de Saúde - SUS, bem como na possibilidade de formação multiprofissional, apesar de todos seus desafios. Nesse sentido, o profissional de saúde que recebe o residente em campo trabalha em condições precarizadas, vínculos de trabalho fragilizados, condições materiais insalubres, o que acarreta tensões no cotidiano. Os profissionais da saúde, inseridos no cotidiano permeado por essas contradições, são testemunhas de uma política de saúde que vem sofrendo reiteradas ações de precarização dos serviços prestados, corte no seu financiamento, burocratização do acesso e forte pressão do viés mercadológico, que enaltece o discurso da privatização dos serviços à população e busca reforçar o discurso da ineficiência dos serviços públicos. A perspectiva da financeirização da saúde tem como tendências o ajuste fiscal, com a racionalização da oferta de serviços e a desresponsabilização do Estado como provedor da política pública. Nesta lógica, ao poder público cabe garantir atendimento focalizado à população que não apresenta condições materiais de pagar seus atendimentos de saúde, utilizando de serviços sucateados, de atenção precarizada e que não preconiza a universalidade de acesso (Bravo & Matos, 2007, Lemes, 2022, Mendes, 2020). Neste desafiante contexto, a atenção à saúde em seus diversos níveis é diretamente afetada, bem como usuários, trabalhadores e estudantes, o que inclui os profissionais inseridos na modalidade de pós-graduação em RMS. O trabalho e a formação nesse contexto se defrontam com a insuficiência de meios concretos para sua plena realização, cenário em que a RMS está engendrada uma vez que é uma formação pelo trabalho em saúde, não podendo ser analisada fora dessa totalidade e contradição. Mesmo com o apontamento de tantos desafios, ainda assim, é possível vislumbrar a formação em serviço como importante estratégia para a mobilização e fortalecimento da categoria de trabalhadores vinculada a um projeto de saúde estatal, pública, de qualidade e acesso universal.
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