PRÁTICA PEDAGÓGICA: A FLOR DA AMIZADE

v. 1, 2019 - 115672
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Resumo

A autonomia emocional é uma competência que se adquire desde criança. Ela está diretamente ligada a convivência com os outros. Conforme Ministério da Educação (2009), se uma criança recebe mensagens positivas, encorajadoras, como por exemplo: “Você é uma criança muito responsável, faz as coisas muito bem, sabe escutar os outros…”, construirá uma imagem positiva de si e isso contribuirá para que se sinta segura emocionalmente, o que ao mesmo tempo favorece o desenvolvimento e a aprendizagem. Desse modo, Segundo Daniel Goleman (2005), desde o nascimento até os doze anos, construímos nossa individualidade, principalmente pelo que vemos os outros fazerem ao nosso redor: família, professores, amigos, etc. Saber diferenciar-se de outras pessoas vendo-se como um ser individual, com características próprias em seu meio e na relação com outras pessoas, é fundamental para desenvolver a Inteligência Emocional necessária para adquirir a habilidade do autoconhecimento. Ao conviver de perto com criança de cinco a seis anos percebe-se que muitas delas estão cada vez mais recebendo mensagens como: “você é uma criança má, não faz nada direito, não sabe escutar os outros...”, essa criança construirá uma imagem negativa de si, e isso despertará emoções e sentimentos também negativos que poderão bloquear o desenvolvimento e a aprendizagem. Assim, em sua linha de pensamento Daniel Goleman (2005), alerta que se os pais no papel de educadores não se preocupam em reciclar seus próprios hábitos negativos, as crianças sob seus cuidados se tornarão meros clones repetidores de todos seus defeitos. Isso ocorre também na escola na relação professor e aluno. Neste contexto, para o autor, coisas negativas, assim com as positivas, são ensinamentos, instruções, orientações assimiláveis que poderão ser memorizadas e que mais tarde poderão compor o repertório cognitivo da criança. Sempre lembrando que cada detalhe de sua futura personalidade, cada modo como se comporta diante das contingências da vida, vai depender desse aprendizado inicial ou da qualidade dessa pedagogia. Sendo assim, é fundamental que a criança desde cedo seja capaz de expressar o que sente para si mesma e para os outros de forma lúdica e prazerosa. O público-alvo da pesquisa abarcou alunos do cinco aos seis anos de idade e o objetivo era desenvolver a competência da autonomia emocional, podendo, a partir do desenvolvimento das atividades propostas identificar, em cada aluno com a ajuda dos colegas, suas características positivas; reconhecer o que os mesmos dizem a respeito de você, proporcionado, assim, uma forma de si conhecer um pouco mais; e, construir uma imagem positiva de si mesma, elevando autoconfiança e autoestima. Como percurso metodológico foi apresentado aos alunos, a partir de uma narrativa, o exemplo de uma menina que descobriu que tinha muitas qualidades legais que seus colegas conheciam e que ela nem imaginava que podiam existir. A história narra o ocorrido com um grupo de crianças que estavam sentados em baixo de uma árvore. De repente, um dos colegas do grupo cujo nome é Paulo, olha para Maria, uma das meninas, e diz que ela é uma amiga que compartilha suas coisas. Logo em seguida, Glória observa Maria e fala que ela sabe desenhar muito bem. Francisca, de frente para a Maria, fala que ela é alegre e divertida. Henrique, observando o que os colegas falaram, diz, também, que Maria é muito organizada. Em seguida a professora montou no quadro uma rosa que continha, no centro um miolo e ao redor, quatro pétalas. No centro, isto é, no miolo coloca o nome da “Maria” (nome fictício) e em cada pétala os aspectos positivos falados pelos colegas, como por exemplo: Na 1ª pétala - Compartilha suas coisas; 2ª pétala – É organizada; 3ª pétala – Desenha muito bem; e, 4ª pétala – É alegre e divertida. Assim, com esse instrumento, foi possível explorar com os alunos a flor enfatizando as qualidades dadas pelos colegas de Maria, e, após a apresentação, foi desencadeado uma discussão a cerca de outros aspetos positivos que cada criança poderia ter. Exemplificando: Aspectos positivos: ajudo os outros; sou muito responsável; empresto minhas coisas; sou muito carinhosa, sei agradecer, sei esperar, sei respeitar os outros, ajo sem maldade, etc. Em outro momento, foi proposto que cada criança seja repórter e pergunte para seus amigos que aspectos positivos as pessoas valorizam em você. O educador como mediador do conhecimento anotou as respostas de cada criança e depois sugeriu que cada um monte sua própria flor da amizade. Orientado pelo professor, a criança utilizou as letras do alfabeto e montou as expressões que seus colegas disseram de si. Todas as flores foram fixadas no mural da sala para que todos conheçam o que os outros pensam de cada um e quais as qualidades dele na visão do outro. Ao final da atividade, em um momento de conversa informal as crianças foram levadas a refletir sobre a atividade desenvolvida em sala de aula, ouvindo o que o outro está relatando e respeitando sua vez de falar, sem pressa, proporcionando um falar, um ouvir, podendo interpretar/refletir questões como: Como você se sente?; Surpreso, contente, feliz, nervoso, etc.?; e, Por fim, a criança foi levada a agradecer a colaboração e sinceridade pelos comentários proferidos pelos colegas. O desenvolvimento da atividade permeou dois momentos: No primeiro, a história foi apresentada pela professora e houve o levantamento dos aspectos positivos pelos alunos. No segundo momento, houve a confecção das flores, a exposição delas no mural, as reflexões sugeridas pela professora e os agradecimentos dos aspectos positivos recebidos por cada um. A atividade foi ampliada propondo aos alunos que pergunte aos colegas da escola, professores, amigos e familiares que aspectos eles acreditam que você deveria melhorar, como por exemplo: sou muito teimosa; sou um pouco bagunceira; sou muito mandona; como muito pouco; etc. e, posteriormente, será disponibilizado para outras turmas com a participação da orientadora pedagógica que acompanhará de perto todo o desenvolvimento. Trabalhar as emoções e sentimentos na Educação Infantil é fundamental para que a criança consiga adquirir desde cedo a autonomia emocional necessária para saber lidar melhor com o que sente em situações diferentes, resolver conflitos com mais facilidade e rapidez sem gerar maiores sofrimento durante todo seu processo de aprendizagem.

Palavras-chave: Autonomia Emocional. Práticas Educativas. Aprendizagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 5/2009, de 17 de dezembro de 2009. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica – CEB dez. 2009.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: a teoria que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Instituições
  • 1 GOIÁS / SECRETARIA DE EDUCAÇÃO / SEDUCE
  • 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano
Eixo Temático
  • Formação de Professores, Saberes e Práticas Educativas
Palavras-chave
Autonomia Emocional
Práticas Educativas
Aprendizagem