A INCLUSÃO DA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL EM SALA DE AULA

v. 1, 2019 - 117280
Pôster (resumo expandido)
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

I. Introdução

Este trabalho nasce da nossa participação no PIBID (Projeto Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de Pedagogia. É resultado dos estudos e intervenções desenvolvidas pelo projeto de Inclusão na Educação Infantil.
Inicialmente, visitamos a Creche Irmã Yolanda Vaz, a sala escolhida para nossas intervenções foi o maternal, as crianças com idade entre 3 e 4 anos. No primeiro momento o nosso intuito era observar como acontece a rotina nessa sala de aula, as regras, a disciplina aplicada pela professora e os métodos de ensino. Depois de algumas observações, nós apresentamos e realizamos algumas atividades. Foram atividades lúdicas, como colorir e desenhar, conto de histórias, músicas, jogos, fantoches, tudo planejado para o desenvolvimento cognitivo, interação e a inclusão de toda sala de aula.
Este trabalho tem como intuito apresentar técnicas e estratégias diferenciadas dentro de sala para realizar uma inclusão com todas as crianças presentes, e para isso escolhemos uma deficiência específica intitulada como deficiência intelectual. Por muitos anos as pessoas com esta deficiência foram taxadas como algo impossível de se trabalhar no campo de desenvolvimento social e humano.
Com isso, o projeto nos propicia a trabalhar essa deficiência e formar estratégias para conseguir a inclusão desses alunos, junto com uma aprendizagem significativa, e para nos auxiliar nesse propósito sugerimos trabalhar com a arte terapia e a musicoterapia.
A Arte terapia no Brasil constitui-se ainda como algo recente, sendo uma formação dada por meio de cursos de especialização e, com isso, atrelada à formação inicial do profissional. Apresenta um campo de atuação tão amplo quanto à própria formação dos artes terapêuticas, com intervenções focadas na área da saúde, da educação, das artes, dentre outras (CIORNAI, 2005).
Na musicoterapia destaca-se a questão de que ela produz um ambiente impregnado de escuta, e, neste sentido, quando alguém escuta, pode pensar e interpretar de uma outra maneira. Aqui, voltamos para a possibilidade de construção de sentidos, entendidos como significados singulares, em base a Vygotsky (1992) e seus interlocutores, quando o sujeito trabalha com atividades criadoras e estéticas, por exemplo, que permitem recriar os contextos vividos, as compreensões deste vivido, e a si mesmo.
Nesse sentido, a Federação Mundial de Musicoterapia (1985, p. 2) define que Musicoterapia é a utilização: “promover a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional, mental, social e cognitiva) para desenvolver potenciais e desenvolver ou recuperar funções do indivíduo e consequentemente uma melhor qualidade de vida’.
II. Fundamentação Teórica

Segundo JESUS, et al (S/D), falar sobre inclusão nos dias atuais não é um paradigma como alguns anos atrás, pois hoje nos encontramos em constante evolução, e essa visão retrógrada que se era tratada as deficiências vem se modificando a cada dia, mudanças essas que vêm sendo possível com criações de leis que dão oportunidades para que essas crianças público alvo da Educação Especial possam ser asseguradas sobre os seus direitos.
Para Mendes (2006), a inclusão das pessoas consideradas até então ineducáveis, se deu em meados do século XVI, com “médicos e pedagogos que desafiaram os conceitos vigentes na época”, e procuraram um meio para cuidar dos deficientes. No entanto a única forma que conseguiram, ou “pensaram” foram instituições como manicômios e asilos, pois acreditavam que as pessoas com deficiência seriam melhores cuidadas nesses locais. Somente no século XIX é que esses alunos tiveram espaço na escola regular de ensino.
Assim, o acesso à educação para portadores de deficiência vai sendo muito lentamente conquistado, na medida que se ampliaram as oportunidades educacionais para a população em geral. Entretanto, as classes quanto as escolas especiais somente iriam proliferar como modalidade alternativa às instituições residências depois das duas guerras mundiais (MENDES, 2006, p.387).
Mas somente no século XX é que a discussão sobre a inclusão começou realmente acontecer, com o surgimento da indústria e com a necessidade de reabilitar os mutilados da guerra. Até então, os alunos que necessitavam de uma atenção especial, recebiam uma educação separada dos ditos normais, em instituições residenciais e instituições especializadas, somente na década de 60 com as discussões sobre direitos humanos, é que surgiu a necessidade de inclusão, as crianças com deficiência passaram a conviverem com os demais, e terem as mesmas oportunidades e acesso às mesmas informações. Segundo Mendes (2006) o convívio entre os portadores de deficiência e os ditos normais traria benefícios para ambas as partes.
Potenciais benefícios para alunos com deficiências seriam: ter mais oportunidades para observar e aprender com alunos mais competentes, viver em contextos mais normalizantes e realistas para promover aprendizagens significativas, e ambientes sociais facilitadores e responsivos. Benefícios potenciais para os colegas sem deficiências seriam; a possibilidade de ensiná-los a aceitar as diferenças nas formas como as pessoas nascem, crescem e se desenvolvem, e promover neles atitudes de aceitação das próprias potencialidades e limitações. (MENDES, 2006, p.388)
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) afirma que, o aluno Público Alvo da Educação Especial deve estar inserido na rede regular de ensino com um apoio especial na sala de aula, tendo escolas capacitadas e especializadas a esse serviço.
III. Metodologia
O método elaborado tem como pressuposto a inclusão de crianças com deficiência intelectual nas salas de aula, ou seja, nosso objetivo é incluir todas as crianças de uma forma lúdica e prazerosa levando atividades pedagógicas, jogos, músicas e brincadeiras.
Nosso trabalho se constitui de intervenções na sala de aula da creche Irmã Yolanda Vaz para crianças do Maternal propondo atividades pedagógicas como histórias com fantoches, atividade de pintura para desenvolver a coordenação motora, todas juntamente com a musicoterapia, ou seja, era em toda aula proposta escolhida de três a quatro músicas para que durante as atividades os alunos desenvolvessem diversas perspectivas, assim como brincadeiras e dança de roda.
Nas atividades trabalhadas na escola, em uma delas nós trabalhamos a história do Pinóquio, onde foi contada a história dele, como surgiu e o que acontece para que todos os alunos pudessem compreender.
Em seguida, distribuímos uma atividade onde a criança deveria colorir somente as roupas do desenho dele e depois colocar serragem na parte do corpo, que era de madeira. Finalizamos essa aula com algumas músicas relacionadas à história contada. Em outra atividade, utilizamos fantoches para contar uma história relacionada aos animais, em seguida foi pedido que eles desenhassem o animal preferido.
A arte terapia e a musicoterapia são técnicas terapêuticas utilizadas em diversas áreas, psicológica, da saúde, ou seja na educação, são válvulas de escape para fugir desse método de ensino tradicional e implementar algo novo que irá estimular os alunos a terem curiosidade e prazer no processo de ensino-aprendizagem. Diversificar, tirar a criança da zona de conforto é um passo essencial para o desenvolvimento e sua interação social, despertando seus sentidos.
É de grande importância todo esse processo para que ocorra uma inclusão verdadeira, em que as crianças com deficiência intelectual consigam juntamente com os outros alunos a desenvolverem as mesmas atividades, jogos e brincadeiras de uma maneira lúdica e prazerosa.

IV. Resultados / Discussão

Com esse trabalho, pudemos observar o desenvolvimento das linguagens, em que as crianças começaram a demonstrar sua vontade em socializar-se, ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação. Por isso, proporcionamos variedades em sons, imagens para que as crianças, vivenciassem o contato com tudo que está a sua volta, abrangendo seu vocabulário e suas experiências.
Permitir que as crianças vivenciem as sensações através de atividades lúdicas e prazerosas que possibilitaram a descoberta de situações agradáveis, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades, provocando assim o conhecimento dos limites e as possibilidades da mente e do próprio corpo.
Houve sim momentos que nossos objetivos pareceram desinteressantes, porém com o apoio de pesquisas e das mentoras conseguimos converter a situação procurando saídas na personalidade da sala, trazendo outras estratégias que obteve retorno, pois as crianças estavam se sentindo motivadas.

V. Considerações Finais

O PIBID mostrou que podemos aprimorar cada vez mais nossos conhecimentos em determinados assuntos na prática e, quando se fala de prática nós podemos perceber o quão facilitador se torna associar o projeto aos estudos dentro da faculdade, tanto na prática quanto na teoria. Elaboramos aulas lúdicas, participamos e também aprendemos juntamente com aquelas crianças que assistiam às aulas.
Aprendemos mais sobre interação, socialização, e principalmente, a inclusão de que todos necessitam na sala de aula. Os métodos aplicados foram recebidos por eles com muita harmonia, o que proporcionou o desempenho e conhecimento sobre cada brincadeira e atividade apresentadas, da melhor forma, se divertindo.
Lidar com a prática na escola, diretamente com as crianças, promoveu percepções significativas. Com isso, pudermos ter noção de como realmente tudo funciona, as problemáticas, pontos positivos, negativos e importantes, e ter a compreensão de como pode ser melhorado e executado da melhor forma. Na realidade tudo muda, desde o olhar crítico, a visão explícita sobre a rotina e o desenvolvimento de cada um.

Instituições
  • 1 Regional Catalão / Universidade Federal de Goiás
  • 2 Universidade Federal de Goiás
Eixo Temático
  • Educação Especial e Inclusão Escolar
Palavras-chave
Deficiência Intelectual
Arte terapia
Musicoterapia