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A condição de mulher é historicamente atrelada à maternidade. Todavia, em anos recentes, mulheres sem filhos têm usado as plataformas digitais para criarem comunidades on-line em que discutem suas vivências. O artigo investiga de que modos tais comunidades fazem parte do processo de (re)elaboração da não maternidade de suas criadoras. A partir do método compreensivo, apresenta os resultados de entrevistas com quatro delas. São verificados elementos comuns na relação com suas respectivas comunidades: noção de responsabilidade; expectativa de vislumbrar reflexos da própria vivência; desejo de acrescentar suas perspectivas ao conteúdo produzido sobre mulheres sem filhos; alcançar outras mulheres para lidar coletivamente com um processo individualizado. Em um contexto de plataformização do social e midiatização, tais redes sociotécnicas preenchem um silêncio histórico ao usarem as próprias tecnologias do gênero para colocar a não maternidade como vivência legitima e questão em si mesma.
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