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Na plástica de Pedro Costa, performar a vida e revelá-la no breu que a encarcera é ato político. Ao fazer emergir das trevas corpos de personagens reais submersos em situações de exploração e aviltamento, seu cinema ‘instaura’ na tela essas ‘existências mínimas’ (Souriau), conferindo uma visibilidade virtual capaz de tirá-las de suas invisibilidades, num jogo de aparição/desaparição afeito à própria dinâmica performática. ‘Vitalina Varela’, com suas sombras, vultos, vestígios, penumbras, lutos, ruínas, moribundos, nos faz lembrar de séculos de pinturas na escuridão, como ‘imagens sobreviventes’, latentes, que retornam como traduções potentes de martírios longínquos. Em meio a muitas referências, poderíamos destacar a pintura de Théodore Géricault com seus personagens pretos e ‘A Balsa da Medusa’ (1818/19) como centrais nessa obra de Costa.
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