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Buscamos compreender por que o videoclipe Hino ao Inominável (2022), de Carlos Rennó, veiculado nas mídias digitais, bem-elaborado e tecnicamente bem feito, parece ter desaparecido logo após o primeiro turno das eleições à presidência no Brasil em 2022. Enquanto texto poético e literário, o Hino recupera enunciados com preconceito racial, intolerância de gênero, negacionistas, proferidos pelo presidente da época, Jair Bolsonaro (2018-2022). Para tratar dessa relação lembrar/esquecer apoiamo-nos em teóricos da análise discursiva, da memória social e da música. Consideramos que o Hino não é lembrado porque se trata de um signo complexo, familiar a um público limitado, circunscrito à intelectualidade e aos representantes de entidades opositoras ao então presidente, candidato à reeleição. Mais ainda: ao se compor um hino que aniquila o “homenageado”, ativando suas próprias enunciações, não estaria, de algum modo, anulando o impacto da mensagem político-poética?
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