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Nesse artigo, direcionamos o olhar para um lugar que vem ganhando proeminência na arquitetura dos edifícios contemporâneos, o chamado “espaço delivery”, um tipo de antecâmara que permite a entrega, o recebimento e armazenamento de itens de consumo ao morador. Durante a pandemia, quando as pessoas mais abastadas estavam isoladas em casa, consumindo tudo pela internet, esse recinto permitiu o controle da entrada de produtos nos lares, mantendo distante o perigo do contato com um possível corpo contaminado. Finda a pandemia, o espaço delivery se mantém como argumento de venda dos imóveis. Defendemos que, para além do discurso de “praticidade”, “segurança” e “conforto” disseminado pelas empresas da construção civil e imobiliárias a respeito desse ambiente, o espaço delivery se alinha à “lógica da vida em condomínio”, uma proposta de utopia urbana que tem consequências na intensificação do mal-estar que se manifesta no laço social (DUNKER, 2015). Trata-se de mais um dispositivo que aparta um Nós de um Eles, fazendo com que a cidade deixe de ser o lugar dos encontros e torne-se cada vez mais zona de fluxo de mercadoria. Dessa forma, o capital segue sequestrando a cidade e as vidas.
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