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Parte-se de discussões midiáticas em torno do uso da IA generativa na produção cultural, privilegiando o caso de artistas digitalmente ressuscitados como autores post-mortem. Subjaz aos dilemas levantados pelos media a rasura da diferença ontológica entre criação artificial e artística (própria ao vivo), o que não deixa de favorecer o avanço do jogo capitalístico, em sua aceleração exponencial do produtivismo e a adequação crescente da percepção, da atenção e da subjetividade a modos funcionais compatíveis com a lógica do entretenimento e do consumo. Esvaziada de sua vinculação ao vivo e à finitude, a suposta criação por IA restringe-se a um jogo combinatório a partir de dados pré-existentes, domesticando o acaso e capturando a diferença. Como contraponto, de Nietzsche, Foucault a David Bowie, evocam-se gestos filosóficos e artísticos inventores de estilos capazes de propiciar a aliança entre a potência do ficcional e a afirmação radical da finitude, efetuando a arte de saber terminar.
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